Para os barcos de “ nossa “ baia, um caos, sobrando apenas tres em seus devidos lugares, sem nenhum problema maior.
O nosso e o do americano, gracas as pedras como poitas que usamos, ficaram mais ou menos em seus lugares mas as corrente na ancora de popa do Luiza, nao aguentou e rompeu.
Estavamos exatamente durante os 20 minutos que o ciclone passou, em um supermercado proximo e quando conseguimos voltar a praia, ver nosso dingue na areia sao e salvo, o Luiza e o “ Boundless” intactos no meio da balburdia de tantos barcos em problemas, foi um alivio imenso. Pandora, ainda a bordo, foi outra felicidade!

O saldo foram mais de 10 dingues empilhados na areia, que foram levados de moorings pequenos como folhas de papel.
Um veleiro de 70 pes, lindo, de charter, parou nas aguas rasas proximo a uma das pequenas praias ao fundo da baia…
O veleiro de um conhecido nosso perdeu o mastro na confusao de ser jogado sobre um outro veleiro e teve muita sorte porque o outro, afundou. Finalizando, um de aco parou nas pedras do muro da marina.

Assim que chegamos no Luiza bati fotos como pude mas o vento voltou e comecou o desespero : agora em evitar que batessem o nosso e o do americano, muito proximos, enquanto Luiza estava solto pela popa e o dele permanecia “ preso “ popa e proa…
Gui veio o mais rapido que pode do centro da cidade e ajudou a controlar a situacao.
Nos contou que inclusive na marina grande da capital o susto foi imenso para os mega iates e mega veleiros e ainda do corre -corre que foi em docarem melhor e com mais cabos no meio do vendaval.
Outra marina cuja doca e flutuante, levou alguns veleiros a se chocarem porque oscilou muito com o movimento das ondas e levou junto neste embalo, as embarcacoes presas a ela…
Passado os ventos restantes, a pequena baia de Puerto Portals foi dormir com todos os seus inquilinos cansados e de ressaca, sem que ninguem tivesse tomado ate aquele momento, um gole de vinho sequer…
Mallorca foi dormir com um olho aberto no tempo e um dedo em riste para o tal Departamento de Metereologia .
Nos jornais do dia seguinte, a informacao do ultimo ciclone similar que passou pela ilha constava de 20 anos passados…
Todo este tempo no mar e foi aqui que o “ bicho realmente comeu”, ancorados…
10 dias depois, previsao de mal tempo e formacao de pequenos ciclones ( os de agua ) sem pretensao que alcancassem terra. Acertaram na mosca mas nem de perto foi do nivel do que aconteceu no dia 4 de outubro.

* Escadas * de sustentacao...
A Espanha, de uma forma geral, no mesmo periodo, sofreu bastante com as chuvas.
Inundacoes severas invadiram casas, transbordaram rios e fizeram flutuar dezenas de carros estacionados nas ruas. Cenas duras na televisao, nos surpreendendo de fato.
A questao, fora o volume de agua por metro quadrado durante as tormentas, esta ainda na largura das ruas:
sao muito estreitas e zigzagueam ate chegarem em um cruzamento. Viram funis para a vazao da agua que desce dos morros, trazendo junto cascalho e terra, deixando um “ mar “ de barro espalhado apos sua passagem.
Nos ficou claro que descobriram esta forca poderosa em que se transforma naturalmente a gravidade, pois por onde se circula em Mallorca, observa-se “ terracos “ construidos nas encostas, numa tentativa de preservar pequenos trechos planos e proteger o que estiver abaixo ( mas sem o sucesso esperado…)
Nada mais sao que verdadeiros muros de arrimo, seculares, a base de pedra, proporcionando ao fim, um visual lindissimo. Circular pelas estradas que margeiam a ilha e que passam pelos povoados seculares, num descer e subir constante beirando precipicios ou pelos campos e idilico.

Povoado, como tantos na ilha.
Os “ zilhoes “ de ciclistas que tambem desfrutam de tudo isso para praticar este esporte muito forte pela Europa, sao companheiros inevitaveis em cada pequena reta e nas muitas curvas das estradas. E todos podem parar para colher “ cogumelos “ no pe das encostas, depois de uma bela chuva de verao.
Fiquei atonita e retrocedi ha muitos anos quando, no bairro que morava com meus pais, ainda crianca, fiz varias vezes o mesmo durante o sol forte depois da chuva, nos meses mais quentes do ano: colhi “cogumelos“ para logo em seguida degusta-los fritos na manteiga, como uma iguaria.
Tinha perdido este acontecimento em minha memoria e dei “ de cara “ com a pratica usual disto por aqui…
Esta sensacao de reencontrar algo tao distante em minha vida, nos dias de hoje, mostra um pouco do ar que tem Mallorca: Historia e Atualidade mesclados e infelizmente ( ou felizmente, afinal experiencia vem com a idade nao ? ), diante dos meus cincoenta anos, posso fazer essa associacao...
O visual de contrastes geograficos, circulando pela ilha, nao tem como nao agradar.
Montanhas, campo, praias e centros urbanos. Construcoes historicas como base da arquitetura, monumentos, monasterios, farois, igrejas e vilas. Placas mostrando que muita coisa comecou em 1200 !!!
Edificacoes modernas perfeitamente ajustadas ao contexto da regiao e acessos asfaltados secundarios para nao sobrecarregar as auto pistas que conduzem para todos os lados. Linhas de onibus urbano ( todos com ar condicionado ), trens e metro.
Estrutura de metropole .
Imaginavamos beleza e nos deparamos com mais.

Visao do farol no extremo norte da ilha.
Aquele casal de americanos ( o do barco que cuidamos ) circulou conosco pela ilha, encantando-se como nos. Ja haviam estado pela Europa mas tambem lhes surpreendeu este pedaco de terra rodeado de agua.
Toda a beleza compensou a ma impressao que tiveram da Espanha quando entraram pelo Mediterraneo e foram roubados em uma de suas bicicletas.
Depois, em Ibiza, foram multados por “ estacionar “ seu dingue fora do local “ pseudamente “ permitido, num valor de 400 euros !!! e finalmente, terem seu barco abalroado por um veleiro alemao, em plena ancoragem sendo que a solucao para o incidente so passou a ter acontecido nos EUA, apesar da companhia de seguro ter um escritorio em Mallorca.
Entendemos o que sentiram pois nao e facil captar o famoso estilo “ latino “ que possue o lado maravilhoso do emocional nas relacoes mas tambem agrega o lado perverso da “ vantagem “. Claro que nao como regra mas e sim ainda muito encontrado na pratica…

Estrada pra la de sinuosa!!
Ha roubo tambem nos EUA. Nos mesmos fomos lesados por la com um motor de popa e uma geladeira 12 volts.
Ha multas, e muitas, tambem nos EUA, mas normalmente dentro de regras claras e independende de “ bandeira “ que tenhamos em nossa popa…
E ha abalroamentos, claro, mas com resolucoes que estao mais distantes das “ conversas de pe de orelha “.
Resulta o fato que entender parte disso e conviver com todas estas situacoes, fornece uma visao muito mais abrangente da vida, ja que estamos mais expostos a tudo isto.
Quem viaja bastante acaba por saber.
Quem da a cara para bater alem de espacos conhecidos, aprende rapido. O que nao quer dizer que se compactue ou que estejamos preparados para reincidencias; talvez fiquemos so calejados.
Alias, vivendo em terra ou no mar, vamos “absorvendo” como esponjas tanto o que e bom como o que e “ nem tanto” e nos cabe filtrar…
O tempo passa para todos e talvez a percepcao disto seja a tal “ dita “ maturidade que vem ao longo dos anos e depois dos 40 e poucos, acompanhada de um par de oculos e rugas no rosto …

Tempinho juntos...
Debora e Caique nos surpreenderam chegando numa madrugada de domingo, no inicio de setembro.
Malas e mais malas, alto astral e maturidade. Quanta coisa boa durante uma semana, de novo em 40 metros quadrados.
O exagero de malas fica por conta da famosa vaidade feminina ( ai ai ai ! ) mas o alto astral e a demonstracao que o tempo passa e se esta assimilando toda esta vivencia, nao foram em demasia.

Pandora feliz com Debora por perto.
Quem viu e quem ve…
Dos muito jovens de 2002 aos jovens adultos em 2007, com escolhas, opinioes, vivencias e aprendizados que nao ha dinheiro que compre. As tais situacoes cotidianas de quem nao esta em ambiente conhecido e que necessitam de resolucoes rapidas porque a vida esta acontecendo ao lado, diferente a cada momento.
Como pais, so poderiamos ter pretendido isso. Como pais, que tambem mudaram neste processo todo, percebemos que estivemos percorrendo caminhos diferentes do usual mas nao incorretos.
Alias, nem e questao de caminho certo ou errado. Foi mais para um alternativo, que nos desse espacos sob a luz do sol, fossem quais fossem nossos sonhos, desejos, esperancas e perspectivas para o futuro mas, com opcoes nas maos…
...Foi falado pouco naqueles dias.
Estavamos juntos apenas vivendo, de novo, em uma rotina de ancoragem e com um dingue pequeno para o deslocamento ate a doca.
Vem automaticamente a tona a organizacao em funcao desta realidade.
O controle da agua porque senao teremos que ir buscar ( e que preguica!! ) com mais frequencia…
O dormir mais ou menos no mesmo horario e se nao, o silencio precoce em funcao do sono do outro.
O tirar do lugar e guardar.
O almocar em horario habitual para que a cozinha nao funcione o dia todo.
O brincar com Pandora, limpar seus pelos do cockpit e seus cocos da proa.
Escutar nossas musicas com fones de ouvido, assistir um filme que agrade a maioria e se preparar para molhar o pe ao descer na praia e cuidar mais ainda da roupa que usa porque a “ sessao lavar roupas “ de facil nao tem nada…
Se, trabalhando em mega iates estes pequenos cuidados deixam de existir no dia a dia fazendo por nao precisar conviver com este tipo de dificuldade diaria, em um veleiro convencional no padrao do Luiza, o resgate e automatico. As diferencas sao como da agua para o vinho e a brincadeira do “ isto aqui Nao e Mega! “ surge sempre.

Outono.
Depois, como vieram de ferias, Debora e Caique voltaram para suas rotinas na Italia.
Nos outros, fomos buscando as nossas.
Guilherme reencontrou amigos de sua anterior temporada no Mediterraneo e voltou para o antigo mega iate, em que havia trabalhado desde Saint Maarten, agora por um periodo provisorio, que incluiria sua terceira travessia pelo Atlantico Norte. E como o mundo e mesmo muito pequeno, todos reencontramos um brasileiro conhecido na Venezuela, na primeira temporada, ralando por aqui antes de ir para o Caribe na proxima estacao. Nos sentamos para um cafezinho, rimos muito das batalhas de todos mas sair para a noite ficou mesmo por conta de Guilherme e ele.
Fabricio, outro paulista batalhador a quem a vida tambem tem ensinado bastante…

Um lugar que nao precisa ser descrito, no povoado de Santa Ponca.
A temporada de verao foi terminando e com ela, o maior calor. Com isto, familias com filhos em idade escolar “ sumiram “ da ilha para reiniciar mais um ano letivo e permaneceram os da Terceira idade . Muitas vezes facil demais em saber que eram ingleses ou dos paises nordicos pela “ transparencia “ da pele e pela forma que buscavam qualquer sol sob qualquer temperatura ( nem sempre apropriada ) a beira da praia, em cadeiras confortaveis…
Os barcos agora circulavam esporadicamente nos bons finais de semana enquanto a maioria comecou a entrar em manutencao para a proxima temporada.
Fernando comecou a trabalhar numa lancha restaurando toda a teca enquanto peguei um trabalho como house keeper para um dinamarques. Com tempo ocioso, ajudei tambem Fernando.

E mulher trabalhadeira !!!!!!!!
Velhos amigos brasileiros estiveram pela Europa e tentaram nos visitar aqui em Mallorca, no seu * tour * por estas bandas. A alta despesa do ferry boat do continente para esta ilha inviabilizou nosso tao esperado encontro, pois nao haviam se programado para ela. Foi uma pena nao termos nos visto… E fiquei sem minhas “ saudosas “ bananas passas que haviam trazido na bagagem…
Meados de novembro tivemos a confirmacao de que mae, irma e sobrinho de Fernando passariam o Natal e Ano Novo conosco e, fora a alegria do reencontro, comecamos a viabilizar este periodo proximo.
Alugamos um apartamento que acomodasse a todos e mais Debora com seu namorado, que estariam vindo da Franca. Somente Caique nao estaria conosco: optou em passar suas ferias no Brasil.
Tudo deu certo porque neste mesmo periodo o frio comecou a entrar forte e a agua do mar a gelar ate a alma com um simples toque.

Aulas de alemao com a Oma. ...E a " coitada" pensou que era so festa em Mallorca...
Guilherme conseguiu voltar do Caribe a tempo e dia 16 de dezembro, ja estavamos todos juntos, transcorridos ano e meio sem Fernando estar com parte de sua familia original.

Nossa Oma!!!

Caique...faltou voce!!!
Em meio a aquecedores permanente ligados, passamos Natal e Ano Novo entre alegres e gripados. Para os Passow, foi o primeiro periodo de frio depois de muito tempo somente nos Tropicos… Tempo de voltar a usar ( e ir correndo providenciar!! ) casacoes e cobertas de pena de ganso; gorros e echarpes.
No entanto, apesar do luxo de banheiro com banho quente, ter receio de cumprir a missao diaria da higiene…

A irma. E um churrasquinho...

Debora e afilhado.
As estacoes de esqui no continente, 140 milhas distante, comecaram a agitar e na Serra da Tramuntana, aqui na Ilha, os picos ficaram com neve.
Geada entrou na rotina nos pontos mais baixos e so entao a circulacao dos turistas de Mallorca reduziu drasticamente, deixando as auto pistas, barzinhos e hoteis vazios.

Jogando um mini golf e ...arrepiando....Este "menino " !{ Na real, perdeu pro Lucca, o sobrinho...hehehehehe}
A praia de Arenal passou a ser nossa, com Pandora desfrutando da areia e calcadao so pra si, enquanto Luiza permanence na ancoragem de Puerto Portals, aguentando nas entranhas as fortes rajadas de vento que assobiam ao descer da cordilheira proxima.

Luiza na paz...
Movimento intenso nas ruas para as compras de Natal e mais outro, na mesma intensidade , depois do dia 25, para a entrega de presentes no dia de Reis, 6 de janeiro. Ha quem siga a entrega de presentes na data convencional e outros, nesta segunda data. Pela televisao observamos que acontece em toda a Espanha, nao sendo apenas da ilha a tradicao…
Entao, o pais renasce das festas no dia 7, acompanhado de sinalizacao nas vitrines e folders por todos os lados, com descontos nos precos de todos os produtos. Tem aqui o nome de “ rebajas “ sendo descontos reais de ate 70% em euro, trazendo uma enorme economia para bolsos que sabem do fato; nao exatamente o nosso caso que caimos de “gaiatos “ no oba- oba “ navidenho “, por inexperiencia.
Aprendemos tambem sobre o horario do comercio: nao ha padrao. Apenas os grandes magazines seguem a risca abertura e fechamento comercial enquanto as lojas menores, espalhadas por todos os cantos da ilha, permanencem abertas ( ou fechadas ) ao bel-prazer, respeitando naturalmente seus horarios de “ siesta “. Com isto, a movimentacao nas auto-pistas chega ate a ter engarrafamento ao redor das 16.00 horas, com carros indo novamente para o trabalho e outros ja voltando. Surpreendente para nossos padroes brasileiros…
No comercio ha de tudo.
Difere, do que nos foi habitual ate agora, a imensa oferta de produtos para o frio. Pudera, na Europa inteira ele efetivamente entra forte e cobertores com penas de ganso, aquecedores, casacos superforrados, vestidos de la, botas e mais botas, sao usados como regra.
Perfumes. Tida como a area que mais movimenta nestas datas festivas e pelo volume de lancamentos, deve haver realmente uma grande massa que compra. Todas as marcas conhecidas e mais muitas novas, em potes belissimos tentando conquistar mais espacos nas “ penteadeiras “ femininas e nas prateleiras masculinas.
Da para imaginar o quao perfumados ficamos todos nos nesta Natal, neh ???
E semanarios. Aqueles lancamentos “ colecionaveis “, encarte por encarte, ao longo de alguns meses. Uma variedade em forma de livros, dvds, joguinhos de todos os temas que nem remetendo-nos a esta mesma fase no Brasil, anos atraz, chega perto. Mais um atrativo para as lojas que vendem revistas, livros, postais, jornais do mundo todo e que sempre tem muito movimento…

Da paz...ao quebra-mar.
7 dias transcorridos de janeiro, fortes ventos entraram novamente deixando em alerta a area nautica.
Fernando e Guilherme foram conferir durante o dia nosso barco e tambem a lancha onde Fernando realiza seu trabalho de restauracao na teca. Mas, ao entardecer, quando avistamos a formacao de ondas na pacata praia em frente ao predio que estamos, foi facil concluir que era chegado o momento de reconferir o Luiza…

O que estava no momento de ir ate o Luiza, de dingue, a remo...aiaiaiia...
Os 15 minutos que nos separam da “ nossa “ pequena baia , pela auto pista, foram de pura tensao e ao chegarmos la, vimos atonitos que Luiza estava perigosamente no que se transformou em quebra mar, pinoteando como um cabrito indomado, tendo perdido duas de suas correntes passadas nas pedras e se mantendo no mesmo lugar apenas com um terceiro cabo com ancora, colocado com a “ intencao” de reserva.
…Se nao houvesse sido assim…

O outro...

Salvando material de trabalho.

Lavando ...
A situacao vista do muro vizinho a baia era tetrica. Foi um tal de ambos apenas jogarem para mim seus documentos, celulares e “ voarem “ para o Luiza na tentativa de tira-lo dali . Fiquei em terra para viabilizar uma vaga na marina, 30 metros ao lado, para doca-lo por pernoite ate a tempestade passar.
Sair da praia ja foi um enorme problema, no dingue, a remo, com ondas que se formavam “ na cara “.
Se nosso ultimo motor de popa houvesse sido poupado dos ladroes de Mallorca, teria sido mais facil…Bem, aguas passadas; fato ocorrido ha dois meses antes e nem xingar de novo dava tempo. O caldo estava grosso…
Entrar no Luiza foi outro grande problema e Fernando acabou caindo na agua naquele momento, agora molhando ate as ultimas entranhas mas, o motor nao pegar e a constatacao de que o leme havia caido, possivelmente com a violencia das ondas foi o que mais “ gelou “ a ambos… A solucao foi acionar o Salvamento Maritimo para rebocar, ja que a marina nao quis assumir o risco.
Ja estava noite quando foi feito o reboque, com muita pericia, apesar de toda a tripulacao ter estado trabalhando, naquele mesmo dia, por 16 horas em salvamentos e resgates.
Entre muito vento e agua gelada, Luiza chegou jogando os cabos contrabordo a doca de passagem de Puerto Portals, ao lado do posto de abastecimento, trazendo junto dois tripulantes encharcados e esgotados, hora e meia depois de termos ido ate la apenas para reconferir…
Tivemos muita sorte, mas nao aconteceu o mesmo para o barco da teca: este havia ido parar nas pedras exatamente 10 minutos antes de estarmos la…Tentamos viabilizar tambem o salvamento maritimo mas nos informaram que apenas qualquer empresa de salvamento, sob orientacao expressa do proprietario poderia efetivar o resgate.
Conseguimos contactar o dono, que estava na Holanda e tambem de la, naquele momento, nao pode agilizar nada. Ficou para o dia seguinte iniciar a salvatagem.
Foram ventos com forca 8 e sopraram por meia hora, transformando mais uma vez a calma baia em novo pandemonio. Foram os tais ventos que entraram pelo sul, vindos da costa oeste da Espanha, deixando chuva, muita neve no continente e dando mais um grande impulso no movimento turistico nas estacoes de esqui.
Em Mallorca, desordem.

Luiza em companhia dos mega, uma noite.
Luiza passou uma noite na tal doca de espera e voltou para a baia rebocado pelo “ dingao “ da marina, agora tendo ficado em um mooring alheio mas vazio, para evitar ir as pedras nos proximos dias de mau tempo.
Resta ainda mergulhar para achar o leme e as demais correntes que estao descansando nas aguas salgadas e muito geladas deste pedacinho do Mediterraneo e a situacao esta nos exigindo uma solucao menos provisoria…
Apesar dos precos de docagem terem diminuido bem apos a temporada de verao, nao existem vagas.
Nem “molhadas” nem “secas“, com previsao apenas para inicio de abril.
A questao docagem nesta parte que estamos conhecendo do Mediterraneo, e mesmo complicada.
Enquanto esperamos, nao ha sossego e acompanhamos a previsao metereologica tao rotineiramente como tomamos café, inclusive com o radio de mao vhf ligado na mesa da cozinha do apartamento…
Seria bem menos tenso se nao entrassem tantas frentes vindas do Atlantico Norte mas sem poder algum sobre elas, nos resta aguardar.

De volta..., no mooring alheio.
Andamos mais calmos com a situacao do Luiza no mooring. O inverno esta cada vez mais ameno.
Apesar da agua continuar um gelo, Guilherme e Fernando mergulharam, achando correntes e ancoras perdidas. O leme, no entanto, esta repousando abaixo do nivel visual da areia de fundo...
Pois e. Havera de ser feito outro no seu devido tempo...
Provavelmente quando sacarmos da agua o Luiza para reparacoes de fundo e costado, aquilo tudo habitual de uma embarcacao.

Dia, de apesar do frio, procurar ancoras e nossa pa do leme.
Nesse meio tempo vamos tocando pra frente o outro lado da vida, em terra, ate para ter os tais euros para realizar a manutencao necessaria.
Caique, do Brasil, rumou agora para os Estados Unidos. Divide um apartamento em Fort Lauderdale com seu grande amigo brasileiro e ralam, de sol a sol por la, com outro antigo amigo, este americano. Esta feliz. Gosta demais dos EUA e a vida em terra lhe deixa espaco para todas as demais atividades tipicas de um jovem. Ter circulado por tantos lugares em varios continentes, sempre trabalhando, lhe deu a condicao de manter suas primeiras escolhas, agora com pes no chao. O que nao deve dar a impressao de ser uma permanencia definitiva ate porque para isso, deveria ter o green-card.
Debora tambem esta rumando para la. O mes que ficou pela Africa do Sul passeando e conhecendo serviu para um otimo descanso mas tudo enjoa, fora o fato obvio de que trabalhar faz parte da vida.
Com ambos, os contatos vias skype sao frequentes. Internet, msn, tudo ajuda a diminuar o que agora achamos, distancias relativas. Aprendemos muito sobre tudo isso...
Guilherme mais feliz que nunca, por estar com um casal jovem de amigos brasileiros, dividindo a rotina conosco, aqui em Mallorca. Amigos da epoca de Dom Bosco, bem do inicio da adolescencia e que na maioria das vezes, carregamos com mais * zelo * ao longo da vida.
Jovens adultos ao redor, conversas de jovens adultos de novo, maior quantidade de comida as refeicoes e futuro a espreita de todos.
Muito legal ver a garra desta galera que, apesar das saudades da familia que esta no Brasil, encarou a chance de tentar de maneira diferente.
Nao estao, e claro, isento de decepcoes. Temos sempre muitas altas expectativas em relacao ao * novo * mas so existe uma maneira de balizar, deixar no meio termo - vivendo.

Maria e Cassou. E vamos comendo o que passa na esteira ...
E Pandora agora tem de novo mais gente por perto para pedir que joguem suas * cacacas * ( leia-se bolinhas e brinquedos ) e prontamente ir buscar. Gente que a leve para praia para cheirar zilhoes de vezes os mesmos pontos ao largo do calcadao e quem sabe permitir uma nadadinha rapida no mar, apesar de proibido por toda a orla. Se ela soubesse que a multa fica em 150 euros nem ousaria olhar pra agua...
Bem, a noitinha ate da pra liberar * nossa * menina porque estamos num pais bem latino.
Mais um exemplo disto e que existem sacos plasticos e coletores de * caca * canina espalhados por todos os lugares mas nem por isso significa que nao existam no chao.
Ha que ser muito atento enquanto se anda porque quase ninguem segue as normas obvias de higiene e o numero de cachorros e tao grande quanto nos EUA. ...Conclusao...
Nesse mesmo calcadao, aos finais de semana, tenho me atrevido a expor minhas aquarelas e faturar uma graninha.
Sei que faltariam varias * encarnacoes* para ser uma * Miro * da vida mas absolutamente otimista de que todos os * genios * da pintura comecaram por baixo, tenho certeza que muitas aquarelas minhas estarao nas malas dos turistas.
So me resta ainda falar algo em alemao, alem do bom dia, tendo em vista a quantidade deles por aqui. Uma conversinha a mais, jogada fora, ajudaria muito nas vendas.
Vou fantasiar um leve aprendizado por * osmose *. Professores em casa ate tenho - a determinacao da minha parte e que anda falha.
...Detalhes.

Guizao cuidando da ' barraquinha' enquanto tiro foto...

O grampinho nao faz parte da obra, nao se prenda nisso. Heheheheheheh! No entanto, aceito encomendas via net. Valor da remessa nao inclusa mas o lado bom sera o selo espanhol hehehehehehe.
Enquanto isso, vou misturando espanhol ( ainda mais para portunhol ), ingles, sinais, sorrisos, propaganda escrita ( previamente copiada palavra por palavra dos dicionarios ) e uma * certa * cara de artista, aquela igual da galera da geracao Hippie. Fazer um * estilo * pra impressionar...E enquanto ninguem leva nada, fico pensando no rumo que demos em nossas vidas, olhando ao redor a paisagem e deixando * cair a ficha *.
Sei que por mais que escreva so mesmo quem vive uma grande virada pode se aproximar dos sentimentos que tudo isto carrega.

E vamos agitar neste carnaval maiorquino!!!!

Carnaval diferente...
Muito diferente apesar da data ser a mesma. Distribuicao de balinhas, chocolates, doces e pessoal em turismo olhando, pes fixos ao chao apesar da musiquinha, inclusive brasileira, que passa soando dos autofalantes dos carros a frente dos blocos.
Diria que parece mais uma festanca de Cosme e Damiao.
No entanto, existem muitas outras festas tradicionais que ai sim, exibem mais coreografia e fantasias. Totalmente diferente do conhecido nosso, buscando retratar a epoca medieval.
A influencia da Igreja Catolica e suas procissoes.

Bem, aquele barco finalmente saiu da agua, depois de ficar a espera de um profissionalismo duvidoso da equipe de resgate, contratada pelo proprietario holandes. Taxas, papeis e de novo mau tempo, resultou numa obviedade ...

Foi para o lixo, em pedacinhos....

Mas a ilha continua linda, independente.

E mais um farol, agora pelo lado leste, completa o visual.

E a versao invernal de Fernando. Uns aninhos menos o gatao poderia tentar as passarelas eim...

Caique * working hard * pero no mucho...hehehehehe

...Dai o descanso....merecidissimo...

Um cuidando do outro e fazendo pose...pode?

No Brasil, com namorado e primos, matando as saudades da * terrinha *...

No Brasil, especificamente no Parana, antes de seu retorno para os EUA, tempo para uma palestrinha light sobre suas vivencias e as de seu namorado, de igual profissao, pelos mares do mundo.

Passeandinho com Pandora e saquinho recolhe cacacas nas maos hehehehehe

Facilidade para recolher folhas e pequenas sujeiras...
Diferencas como estas da foto acima, surgem tambem em outras areas. Guilherme neste domingo proximo, mais uma vez sera o motorista de um grupo de amigos, em folga, para comes e bebes sem estresse. Nao vai beber e podera assumir o comando do carro .
Pratica alias, que desde os EUA vimos com muita regularidade, a prevencao com acidentes de transito. E levada altamente a serio. Com isso, indices ainda por ELES considerados altos - 70 mortes em TODA Espanha no feriado da Semana Santa - e o que se tem como resultado de mais de 15 milhoes de espanhois em deslocamento...
Vida de velejador tambem e andar de carro, de aviao quando necessario, a pe, de onibus e de bicicleta. Mallorca tem vias ciclisticas por todo o lado e Guilherme faz parte da galera que se locomove usando a beira da praia como caminho para um dia de trabalho.
E eu, trabalho na beira da praia, com o corredor das bicicletas na porta dos fundos e com o mar pela porta principal...

Divido com mais tres esta microscopica cozinha.

A visao que temos da cozinha, para frente.

E para o lado direito...
Estou como aprendiz de cozinheira, sendo treinada para o periodo do alto verao que se aproxima e que inunda de turistas avidos por sol, areia e cerveja...O lugar, no calcadao, em espanhol, e conhecido como Xiringuito - quer dizer ambiente altamente despojado, para comes e bebes. Sao servidas refeicoes maiorquinas, os famosos tapas -leia-se aperitivos - espanhois e muitas tortas lotadas de cremes e frutas, preferencia alema.
Da empresaria, no Brasil a cozinheira, na Europa, tenho executado mais tarefas que nem nos mais remotos sonhos juvenis seria capaz de ter.
Um leque de atividades bem diferente do tinhamos como padrao de desempenho profissional.
Quando tenho tempo e vejo um veleiro brincando na baia a minha frente, sei que ha por traz, muito mais que apenas uma visao romantica. Principalmente se o veleiro for de cruzeiristas sem dinheiro...
Mas a vida segue e aprendemos ja ha alguns anos que nao e nem questao de se ficar o bicho pega ...so de centrar e rememorar o que nos faz bem e o que nos faz muito mal, e de barriga, buscar o que menos estressa e promove o bem estar.
Nao sou mais cozinheira no Xiringo e isto, e outra estoria mais adiante...
La dos EUA, noticias frescas de Carlos Henrique, embarcado ja na California, mas ainda trabalhando no barco no estaleiro, fara toda a costa Oeste americana, ate o Alaska, em mais um belo barco de charter.

No momento, o trabalho ainda no estaleiro.

Enquanto nao estao no mar, tempo para conhecer um pouco de San Diego, partidas do futebol americano e uma foto especial para a mae que se emocinou ate a alma quando viu...
Carlos, versao filho.

Ao vivo e a cores.

Carlos, versao treinamento *on board *.

Carlos, versao * pose para foto*.
Debora que tambem estava na Florida/ EUA, segue agora para Nova Zelandia com seu namorado, onde ambos embarcam num mesmo barco para fazer a temporada do Pacifico.
Galapagos e Ilha de Pascoa no roteiro.
Ambos felizes porque tinham o desejo de conhecer e navegar pelo Oceano Pacifico e para isto, esperaram ate o barco certo surgir e aceita-los como casal.
E bastante usual encontrar capitaes com suas esposas na funcao de *stewardess* ( tripulante interna responsavel pela organizacao e atendimento aos hospedes ) mas, responsavel pelos motores ( engineer ) com * stewardess * nem tanto.
De fato, se o relacionamento e estavel entre o casal, tendera a favorecer inclusive o bom desempenho funcional dentro do barco.
Serao dois tripulantes que seguramente nao sairao toda a noite e nem deixarao de ter disposicao no dia seguinte, tendo em vista o lado emocional estabilizado.
Ja me referi em outro local de nossa historia sobre a solidao emocional no desempenho do trabalho de tripulante ( crew ).
Apesar de internet normalmente conectada 24 horas a bordo, o deslocamento geografico continuo impossibilita maiores vinculos, a nao ser com a propria tripulacao que precisaria, para ser um relacionamento basicamente satisfatorio, bastante homogenea.
O que na pratica, e uma verdadeira raridade.
Sao 24 horas de convivencia: possivelmente 9 de trabalho, mais as das refeicoes, as de lazer e as de sono. Companheiros de trabalho, de cafes da manha/almocos/jantares, de ver televisao e de quarto...
O ir embora a tarde, resfriar a cabeca e retomar as atividades no dia seguinte ou na segunda feira, nao existem.
Com hospedes a bordo, o ritmo de trabalho aumenta com turnos inclusive de trabalho na madrugada, deixando aparecer mais situacoes de estresse, por cansaco fisico.
Em viagens, rotina igual acoplando ainda os * watchs * de 2 em 2 horas.
Claro que as compensacoes existem e so a possibilidade de conhecer varios lugares ao redor do mundo e a maior delas. Mas que nao nos enganemos pensando que para espiritos e corpos jovens isto basta.

Mergulho no Tahiti. Debora na direita.

Ilhas da Sociedade, Tahiti.

Moorea e reino das Arraias....

Os tubaroes, muito de perto.
Acreditamos que a rotatividade que existe nas tripulacoes do grandes barcos ou grandes veleiros em parte deve-se exatamente a necessidade de vincular-se emocionalmente em terra, aos habitos de terra, de tempos em tempos. Depois, como uma dor de parto - facil de esquecer -, embarca-se novamente para mais um periodo que terminara em um cansaco imenso de ambientes reduzidos, lotados de pessoas.
Temos acompanhado desde Saint Maarten, quando comecamos a conhecer de perto este ramo, a extensao dessa solidao. Muitos tripulantes se refugiam nas drogas associadas ou nao a bebida, aos excessos nas noites em terra, ao consumo desvairado pelo proprio poder aquisitivo acumulado nos colchoes de seus camarotes, sem opcao de gasto.
Nao escolhe nacionalidade. Nem hierarquia. E existe.
Este mes, numa revista especializada exatamente nesta area, chamada Dockwalk, ha um artigo amplo sobre isto, pontuando tambem a facilidade de se obter drogas nos * points * dos tripulantes e nas proprias docas das marinas. E como afirma - seguramente porque o vendedor sabe aonde esta o comprador...
Nao, nao e um mar de rosas mas, como qualquer profissao, ha que se ter muito claro o que se e, o que se busca e o que se pretende porque, independente da idade, e facil misturar tudo, deslumbrando-se num ambiente de puro luxo, de muita griffe e exagerado brilho.
Buscar e manter sempre os valores internos com certeza sao a melhor arma para viver neste ambiente e saber ao mesmo tempo, que somos de outro.
Enquanto isto, la no Brasil.... a REVISTA NAUTICA, nesta sua edicao de JUNHO de 2008, publicou algumas paginas sob o Titulo A DOCE VIDA NO MAR. Entre outros velejadores, estamos por la, numa entrevista feita por email mas com conteudo maior utilizado desta nossa pagina. Regina, a autora do texto, nos acompanha desde os primeiros tempos no Caribe.
Copiei e coloquei aqui a integra que nos diz respeito mas ha um bom punhado na propria revista de depoimentos e visoes diversas sob o mesmo quintal. Particularmente, nao compactuo com o titulo que reforca apenas a imagem romantica da vela mas ha uma tendencia geral em se ir ou do romantismo ou a catastrofe. Diria que existem ambas as situacoes mas a maior parte, e o cotidiano. O mito, criamos nos...
NO FINAL, VALEU

Em 2002, o massacrante cotidiano da vida urbana empurrou para o mar a família Passow, que, com o propósito de ir até o Caribe, mudou-se de Curitiba para o seu velho veleiro, o Luiza, um German Frers de 46 pés construído com madeira nos anos 70. Tanto os pais, Fernando, 49 anos, e Jane, 51, quanto os filhos Guilherme, Débora e Carlos Henrique, de 26, 25 e 22 anos, respectivamente, sabiam que a nova vida não seria fácil, porque o dinheiro era pouco e, por isso, teriam de trabalhar nos portos por onde passassem. O que, no entanto, eles não esperavam era que a vida a bordo seria, a princípio, tão difícil. Ainda em Angra dos Reis, no início da viagem, Jane “surtou”, como ela mesma conta no site dos Passow (//familiapassow.com), “culpa do pouco espaço, da falta de privacidade, do calor, dos enjôos e das brigas freqüentes entre os cinco membros a bordo”. Além disso, por ser antigo, o barco estava consumindo rapidamente o dinheiro do caixa, pois sempre tinha algum reparo urgente a ser feito. Com tantos problemas, a família abortou a travessia e retornou, de ônibus, para Curitiba. Parecia o fim dos sonhos. Mas, não! Depois do motim, o Luiza e seu comandante, Fernando, o único que não jogara a toalha na primeira vez, tiveram de esperar mais de um ano para voltar a ter a companhia da família-tripulação inteira a bordo. Mais: ganharam a companhia de Pandora, uma fêmea de labrador que hoje também vive a bordo. Superada a crise (“Com o tempo, a gente se acostuma a tudo, até dormir aos pouquinhos, para ficar atenta à navegação”, ensina a agora entusiasmada Jane), os Passow seguem se virando para arcar com as despesas da viagem (fazem e vendem pães caseiros nos portos, por exemplo), mas seguem em frente. O Luiza finalmente chegou ao Caribe, mas — quem diria? — foi além: cruzou o Atlântico e está, agora, na ilha de Palma de Maiorca, na santa paz do mar da Espanha. “O mar nos ensina muitas coisas”, filosofa Jane. “Mas a mais importante de todas é superar as adversidades, o que conseguimos, rapidamente”. Num primeiro momento, os Passow chegaram a desistir do sonho. Mas hoje já estão nas mares da Espanha
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Quem acompanhou e esta lendo ate aqui, sabe que nao foi assim tao facil superar as adversidades mas que o mar realmente ensina, isto nao tem como negar....
Caique segue rumo ao Alaska. No momento, parado em Victoria Island / Vancouver, Canada.
Entrando pelo rio.

Os famosos hidro-avioes do Canada.

5 dias de San Diego/ USA ate Victoria Island/Canada. Momento de foto, depois de dias com mar tranquilo.


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Algumas, entre muitas e bonitas, fotos do Canada. Caique assina todas.
O verao em Mallorca comecou trazendo novamente os turistas, o calor, praias com cadeiras e sombreiros de palha para alugar.
Junto com isso, confusao para estacionar o carro nas ruas estreitas a procura de um espaco mais seguro para evitar colisao.
Pura ilusao...
Inevitavel perder espelhos laterais e a carroceria sofrer mais um arranhao. O nosso de segunda mao mas inteiro no momento da compra, hoje e um retrato vivo de como e a realidade daqui da ilha. Parece um foragido de guerra de tanto amassado e arranhao...Bem, mas anda bem e ainda consegue nos levar a conhecer novos recantos na ilha.

A visao do restaurante nao precisa ser descrita. Nem a cor da agua. ( Face sudoeste da ilha )

Nao tem areia? Problema algum: sol sera sempre sol para o turista dos Paises Baixos, mesmo que
seja deitado na murada . ( Porto de Valdemossa )

Amigos do coracao, em ferias aqui em Mallorca. Ele revendo a Espanha. Ela conhecendo este pequeno paraiso...
Abaixo, uma selecao de fotos da AUDI'S CUP, perna Mallorca, ACONTECENDO esta semana.
" O Circo " montado na marina de Puerto Portals,
ao lado do nosso Luiza, movimenta aquela canto da Ilha com o maior luxo e a presenca das estrelas da Vela Mundial.
Um colirio para olhos independente da paixao ou nao pelo esporte...










Abaixo nosso Luiza numa proximidade de metros dos Grandes Veleiros de Competicao da Atualidade.
Inclusive, assistindo passar por sua proa a selecao dos Tops!


E curiosos...

Tempo e ventos perfeitos estao na previsao ate o termino da semana e desta etapa da Regata quando logo em seguida, comecara a do Rei.
Alias, este ja circulando pela Ilha, em sua temporada de descanso no Palacio Real de Mallorca.
Paparazzis atentos e a postos pra fotografias de toda familia real, incluindo netos e netas, que inundam em dias as capas de todas as revistas da Espanha.
Compreendemos hoje muito mais sobre esta realidade daqui do que 365 dias atraz, quando chegamos.
Viver o dia a dia, andar nas ruas estreitas, trabalhar, correr atraz, dar com a cara na porta, encontrar outras abertas, entender o espanhol, falar muito melhor, pagar a comida em euro, fazer parte da multidao de imigrantes que vive nesta ilha,
ver de um lado o mar e logo adiante uma linda serra...Mallorca, hoje, nao e mais o que nos diziam ou o que imaginavamos; e real. E nos surpreendeu em muitos sentidos; nem todos de forma favoravel.
Espanhois daqui, sao agressivos e ariscos. E entenda-se que os que vivem aqui porque a emigracao interna da Espanha e volumosa e ha de todos os lugares, que vieram ha anos e se consideram da Ilha. Nao vivemos no continente, por isso frizo que os da ilha sao...
Apesar do volume de imigrantes na ilha (na maioria argentinos e equatorianos) e de turistas nos meses de verao, a primeira sensacao e de que ha um descontentamento por parte dos nativos com todo este povo ao redor. Depois, tem se a certeza da discriminacao que ocorre.
Casos inclusive abusivos que aparecem nos jornais diarios, com longos processos que vem a seguir na tentiva de se dar um basta .
Imigrantes tem medo e em Madrid, muitos apelam para cirurgias plasticas na tentativa de minimizar feicoes sulamericanas e aproximar da europeia...
Peruanos, equatorianos poderiam voltar para seus paises de origem mas nem de perto conseguiriam manter o padrao que aqui conquistam. Sofrem os riscos.
No dia a dia, ser brasileiro ou equatoriano, na ilha, te coloca apenas num patamar de empregado e que com isto, esta estipulado o teu lugar. Como a mao de obra e imensa e o empregador sabe disto, dar um trabalho para um imigrante legalizado nao implica em cumprir com a regulamentacao trabalhista. Nem com horarios de folga ou descanso minimos acordados.
Minha primeira experiencia foi bastante radical , como auxiliar de cozinheira.
De bom foi que com aquela vivencia pude valorizar no segundo emprego, como camareira, coisa simples como sentar e almocar. Trabalhei com senegalenses, argentinos, ingleses e espanhois.
Tive colegas brasileiras em limpeza de barcos.
Ilegais, batalhando um lugarzinho, dificil diga-se de passagem, na comunidade europeia. Nao precisam se esconder porque nao ha um controle da Oficina de Imigracao, nas ruas, mas no entanto nao conseguem emprego que valha a pena.
Seguramente tem mais condicoes aqui do que nos lugares humildes de suas origens, mas sem qualquer garantia.
Hoteis, bares, restaurantes, marinas, banquinhas de revistas ou o que for tem um padrao:contrato de trabalho,que exige os papeis legais. Nao contratam sem eles e o que sobra, sao sub-empregos mal remunerados e sazonais. Ou a prostitucao. Brasileiras sao famosas aqui e bem cotadas. Brasileiros no mesmo ramo, tambem.
Limpei, neste meio tempo, um apartamento de um dinamarques que so conversei ao vivo uma vez e depois, recebia por deposito bancario o valor correspondente, pre-acordado.
Mrs. Morten que me contratou por precisar, em Mallorca - Espanha!, uma house keeper que falasse o ingles...
E tambem, mas nao por fim, dei aula de Portugues ( do Brasil ) para um alto executivo, como contratada de uma empresa em Madrid. Ja meio escolada com a vigarice latina pensei que nao iria receber mas foi uma firma altamente idonea, que cumpriu todas as clausulas do nosso curto contrato de trabalho em parceria.
Teria sido meu melhor emprego ao longo dos ultimos anos, nao fosse que meu aluno extremamente ocupado como Vice Presidente de uma famosa rede de Hoteis nao conseguia cumprir com horario algum em funcao dos seus compromissos profissionais. Dei uma aula.
Luiza ficou um ano pela pequena baia que alguns sustos passou em outubro do ano passado. Meados do mes de agosto deste ano, a marina reclamou que nosso barco estava comecando a incomodar o trafego dos barcos, quando entrava vento norte, no canal de acesso a ela. Eles tinham razao e o jeito foi tira-lo dali.
Direto entao para o varadeiro, depois de muita pesquisa de precos! , numa pequena marina em Can Pastilha para vistoriar e pintar o fundo com a tinta venenosa.
Fernando arregacou as mangas e mais uma vez, maos a obra.
Guilherme deu alguma forca e eu, outra bem menor, porque ambos estamos ainda trabalhando e o tempo livre e de puro cansaco.
Resultado final bom ou mal vai ser atribuido totalmente ao capitao. Nesta, praticamente lavamos nossas maos.
Enquanto Fernando pega um # bronze #, mas nao necessariamente a beira mar nem de pernas pro alto, podemos ir acompanhando o antes e o depois...

Fora da agua e vistoria geral.

Limo do Mediterraneo.

Estacas rudimentares. Da pra acreditar eim ?

Vista da proa: baia de Palma, sentido oeste.

Reparos, fundo e costado. Lindo!!!


Sem nome grande, sem faixas laterais pra poupar tempo ( e dinheiro ! ), cara de limpo.

Sempre o frio na barriga de que tudo va bem no retorno a agua, seu lar.

Luiza na agua, capitao ao leme. Feitos um para outro.
Nosso barco ficou exatamente uma semana no estaleiro sendo reparado sem tregua, ate a ultima luz do sol.
Toda a experiencia adquirida ao longo dos ultimos anos com ferramental e conhecimento dos passos para reparacoes em madeira, aceleram o processo.
Trouxeram muito cansaco para Fernando, alguns maus humores mas o resultado ficou esplendido. Espanhois e maiorquins que circulavam pela marina se espantaram com a rapidez do trabalho em solitario. Aqui o ritmo e muito lento como na Venezuela e algo que fuja disso, distoa.
Essa ultima foto acima e a saida semi oficial do Luiza da Europa.
Desta marina voltou para a baia perto do apartamento que Guilherme e eu ainda estamos, mas com dias tambem contados.
Ficou por la em teste tres dias com Fernando fazendo as ultimas e interminaveis revisoes, vindo a terra a nado, sem se atrever a baixar o dingue e deixa-lo na praia. Fomos roubados em um motor de popa ano passado e no ultimo mes, o antigo dingue. Perder este tambem, seria demais.
Dia 8 de setembro, 13:30 da tarde, abastecido com diesel, gasolina, nossos poucos pertences que circulam o mundo em nossa casa flutuante, racao de Pandora e a propria, aproou para Ibiza. Voltara ate a saida do Estreito de Gibraltar por onde viemos 13 meses atras, mas agora somente o capitao sem seus palpiteiros tripulantes.
Saiu ja neste mes para a famosa readaptacao ao mar em um periodo propicio no Mediterraneo, antes das tormentas que marcam o inicio do outono. Vai devagar, curtindo ate as Ilhas Canarias onde esperara o tempo correto para atravessar para o Caribe.
Do Caribe para os EUA.
Nossa maquina fotografica esta a bordo e de la, via email, teremos como acompanhar parte do dia a dia de Fernando e sua companheira canina. Experiencia inedita para ambos, considerando o tempo que estarao juntos no mar.
Ate as Canarias, Espanha nossa comunicacao sera via celular.
Mas em pensamento, estamos todos juntos. Olhando, observando todos os sites de metereologia. Falando sobre ela e continuando a dar palpites via satelite. Nao adianta: o capitao nao esta totalmente livre em suas escolhas...
Estarei esperando por ele la na Florida.
Guilherme optou em continuar em Mallorca
Se olho para o tempo que ficamos os tres aqui, sinto muita emocao em entender que mais esta fase esta acabando. Nao foi, seguramente, uma das mais faceis. No entanto, muito rica tambem em aprendizado e em decisoes.
Estaremos, os cinco, provisoriamente espalhados por cantos distintos do mundo.
O plano e no Natal tomarmos juntos uma bela champagne, se todos conseguirem se livrar dos seus compromissos.
Matar saudades, contar historias e dar muita risada em algum lugar banhado pelas aguas do Oceano Atlantico.
