ATLANTICO NORTE Luiza foi abastecido com provisoes para 50 dias. Agua nos tanques ( 400 litros ), 36 litros em galoes e mais 90 litros de agua mineral. Dois computadores com cartas nauticas em programas especificos e todas as cartas nauticas em papel, ate o destino e proximidades. Gerador de 2300 w, portatil, a gasolina. 5 galoes para ele e mais 5 sobressalentes de diesel. 2 genoas semi novas ( novissimas para nos! ) sendo uma 130 % e a outra 90% mais uma mestra ( filha unica...) semi nova tambem. Livros e mais livros. Remedios para a grande maioria de atendimento aos primeiros socorros ( foi a primeira vez...) 1 radios vhf de mao fora todos os outros equipamentos adquiridos desde Saint Maarten. Duas bicicletas. Bermudas (...1.130 milhas) 
Saindo das Bahamas, depois de tudo acertado. Estavamos correndo contra o tempo para sair dos EUA. Primeiro porque Guilherme tinha sua permanencia ate dia 25 de maio para ficar legal no pais e mais que a temporada de furacoes comecaria em primeiro de junho. Fiquei sozinha no barco nos dez ultimos dias e embarquei as provisoes, fiz detalhes finais do conves, organizei por dentro enquanto eles foram ate o Missouri e voltaram quase na data de zarparmos. Eu em Fort Lauderdalle de olho no tempo e na previsao e eles, fazendo o mesmo por la nas horas vagas. Uma, duas, tres vezes por dia mas nao melhorava. So falavamos disso nas conversas pela internet. Estavamos preocupados... Eram vento, chuva e depressoes estranhas, provocando ventos fortes e levantando o mar da corrente do Golfo, de forma que alertas para a Navegacao foram emitidos mais de uma vez nesse periodo que antecedia nossa saida. Quem veleja nao tem data de sair nem para chegar, sabiamos. Mas fomos ficando cada vez mais entre a cruz e a espada. Dia 25 entao fizemos os papeis de saida na Imigracao mas ainda nao podiamos arriscar. O mar e o tempo continuavam feios demais. Ficamos ilegais tres dias na mesma doca mas nao foi nada bom. Ultimamos o que deu, demos muitos tchaus e resolvemos sair. Mar melhor mas tempo ainda sem real definicao de melhora. La fomos nos, pelo porto de Evenglardes, Fort Lauderdale, dia 28 de maio: Luiza, sua tripulacao e o frio na barriga por sabermos da quantidade de milhas pela frente depois de parados por um ano. Final do mesmo dia, entramos novamente nos EUA, por Palm Beach, poucas dezenas de milhas a frente...
A tal paradeira de um ano, falta de tempo habil para uma inspecao mais minuciosa nos ultimos dias e mar mexido nos mostrou rapidamente uma valvula emperrada aberta (conclusao- muita agua nos poroes ! ) e vazamento pela mangueira do respiro do tanque de combustivel ( outra conclusao - muito diesel tambem nos poroes ! ). Caramba! Nos reacostumando com tudo e aquele volume de agua vindo sem saber da onde!! 3 milhas ou 10 distantes da costa nao fazem diferenca para um barco fazendo agua daquele jeito. Imaginei, quando me mandaram catar o mais rapido que pudesse, uma quantidade louca de racao de Pandora boiando por tudo, que iriamos afundar. Fui fazendo, mais mareada que nunca, sem pensar. De repente cai em mim: pombas, os dois estao la fora, recolhendo vara de pesca e o outro no timao...Acho que a coisa e seria mas nao e ainda extrema... - Estamos afundando ?, perguntei nervosissima. - Nao ainda mas vamos entrar de novo pelo canal de acesso a Palm Beach, alguem disse. Deixei as racoes do fundo por la mesmo porque o cheiro de diesel terminou de revirar o estomago nada forte desta tripulante e naquele momento, de nenhum de nos e tratamos de pegar as cartas guardadas da Intercostal e achar o way point rapidinho...
Apoitados novamente em aguas americanas ao final da tarde e o dia seguinte foi para reparacao. Passamos limpando, ajeitando os problemas e ao inves de seguir para Bermudas, fomos para as Bahamas, muito mais perto, testar novamente o barco e acertar a situacao de Gui para uma eventual necessidade de retorno ao EUA. Seguro morreu de velho e parte seria feita ainda em costa americana. 
Rumo norte, pela corrente do golfo. 5 knots a mais, de lambuja . E vidao! Deu certo. Primeiro para nos provar que as reparacoes foram eficazes e depois, para deixar passar outro periodo de muito mau tempo, culminando na depressao com o nome de Barry que bateu muito proxima na mesma costa leste americana e dissipou-se dias depois. Coisas erradas aconteceram para nos conduzir a outras certas. A tal sorte dos velejadores mas abusar seria demais e esperamos.
3 de junho estavamos definitivamente no mar para fazer 1100 milhas ate as Bermudas. Primeiro rumo norte e depois nordeste, se os ventos permitissem. A corrente do Golfo ficaria logo para tras e sua grande ajuda de ate ate 5 knots a favor, tambem…O ideal seria usa-la mas o que nao da e para correr o risco de ficar bem nesta regiao exposta as frentes de norte ou nordeste e exatamente por onde passam possiveis furacoes vindos pelo Golfo do Mexico.
10 dias entre ceu e mar e minha primeira experiencia em travessia. Alias, so Guilherme ja havia feito no ano anterior, de megaiate, como tripulante. Para Fernando tambem foi uma experiencia nova, regada a tensao pre-saida, naturalmente como toda situacao nova acompanha. Mas a readaptacao aconteceu de forma rapida - eu particularmente sem nenhum café durante o percurso, sempre com algo no estomago e muito tempo fora da cabine - lugar sabido como ideal para evitar o famoso marear !
De novo o balanco, os ventos mais fortes, as calmarias, ao tempo para pensar, observar, interagir 24 horas ao dia. A rotina do controle de energia, da agua, banhos limitados.
Um dia apos o outro, vivendo cada hora porque a ansiedade em chegar ou ir adiante, em nada ajuda.
Conclui-se facilmente que fazemos nossa parte preparando e viabilizando o barco. Depois, estudando os melhores caminhos ate o destino e agilizando a navegacao. Ficando a par das condicoes metereologicas e cercando as boas latitudes mas, apesar de tudo isto, ainda estamos sempre a merce da natureza… Na real, tenta-se minimizar os riscos e convive-se com esta possibilidade mas temos que estar sempre abertos a novos rumos que o vento impoe ou as proprias correntes… Tal como a vida.

No turno. No turno ?????? Te peguei malandro !!!
Foi perfeito na medida e equilibrio entre tudo isto, para nos tres. E a perfeicao consiste, numa situacao dessas, em boas condicoes de tempo ( nada extremadas ), barco respondendo muito bem ao solicitado, calmarias sem exagero, motor bom para sair delas e bom humor.
O weather fax foi utilizado diariamente e colaborou para isto, sem sombra alguma de duvida. Com o programa instalado no computador e este conectado ao radio SSB na frequencia de melhor recepcao, 12788, em horario pre- determinado vinham todas as informacoes para tentarmos velejar sem maiores sustos. Deram quase na mosca todas elas. Tinhamos a previsao das zonas de melhores ventos e motorar ate la facilitou nossa vida. Comedidamente porque nossos tanques sao pequenos e mesmo com os galoes sobressalentes, nos davam no total uma autonomia de 350 milhas e isto nao era nada perto da distancia ate o destino. 
Weather fax entrando e nos mostrando as latitudes de melhores ventos.
Seis dias variando o rumo entre norte e depois leste e entao, aproados diretamente para Bermudas. Calor suportavel, frescor ao cair do sol, peixes fisgados, peixes perdidos, recolher genoa, rizar a mestra, liberar genoa, liberar a mestra. Rotina estabelecida, inclusive para Pandora - que apos chacoalhar nos primeiros dias achou seu espaco seguro embaixo da mesinha, no cockpit e o caminho para seus pipis, ate a proa, protegido pela tela colocada nos EUA com este fim. Mas, mimada como anda, ao primeiro pingo de chuva, queria mais era o conforto da cabine… Adivinhem se nao lhe era sim permitido, por todos !
Aniversario de Fernando comemorado com bolinho enfeitado quebrando a rotina; banhos de agua salgada e enxague racional com doce, musiquinha enquanto o gerador carrega as baterias e nosso querido freezer, maior dos luxos desde Saint Marteen, mantendo queijos e tudo mais no meio do marzao…
O uso, depois de um ano parado nos EUA, do dingue. E claro, fiel passageira...
Turnos e mais turnos para vigiar enquanto o piloto levava no rumo. Passaram uns 9 navios por nos, neste periodo, a boa distancia... Nosso lixo a bordo, desta vez, seguiu os padroes internacionais: permanecemos apenas com derivados do petroleo. Pereciveis, latas totalmente sem tampa, papeis e inclusive vidros, foram jogados ao mar, apos termos nos colocado ha mais de 25 milhas distantes da costa. Descarregamos muito pouco em terra, em relacao a outras viagens, sem a necessidade de seguir os padroes dos megaiates ou navios comerciais que implica em relatorio do lixo.
E finalmente Bermudas, que e um dos vertices do tal Triangulo, formado ainda pela Florida e Porto Rico. Claro que tinhamos em mente as tantas historias de desaparecimento nesta area. Quem nao ouviu pelo menos uma...Fato e que isso nao nos incomodava. Estavamos a par dos muitos obstaculos que poderiamos encontrar, sem super valorizar regiao alguma. E isto nos faz pensar que nossa imaginacao e muito perigosa e que tantas historias sao contadas para inclusive, enfeitar o pavao...Mar e mar e conscientes disso, ponto. Mas entao, a ilha e linda e ver terra e muito bom. Nos da automaticamente a sensacao de que cumprimos uma etapa. Pequena, em relacao ao restante, mas ja no passado... Telhados brancos tantas vezes descritos por outros velejadores, agua filtrada e clarinha consequencia dos muitos corais ao redor. A face sul- sudeste e a aconselhada para o acesso a ilha em funcao dos corais nas outras faces e foi por ela que entramos, situando-nos, querendo entender como funcionavam as coisas, ver de fato os espacos. Guias e cartas nauticas balizam, sao necessarias mas este * time * e fundamental. Imigracao, procedimento normal dos papeis e ali descobrimos que poderiamos ancorar contrabordo com a mureta do lagoon de Saint George. Foi a solucao ao custo de 20 dolares ao dia, sem agua ou luz mas com terra ! E o cobrador direto no barco, passando de vez em quando para atualizar as diarias. A cultura inglesa organizada e pontual ainda nos dias de hoje... Depois, com o onibus urbano em vielas com mao inglesa, fomos vendo as ruas asfaltadas ou com paralelepipedos, estreitas e bem cuidadas como todos os jardins e pequenos parques publicos. Flores, campos de golfe, praias limpinhas. Surpreendeu. Nao haviamos visto nenhuma ilha igual, com tanto capricho e asseio por onde passaramos antes.

Os famosos telhados brancos, que sao lavados uma vez ao ano para servir de captacao de agua de chuva. Fora esta, so a salobra, nos pocos. Os carros que circulam sao pequenos, (os nossos de tamanho Palio) e cada familia, por lei, so pode ter um. Foi a forma de evitar engarrafamentos e diminuir o problema de espaco para estacionar. Mas, apesar disso, existem muitos carros circulando e se espremendo em vaguinhas incriveis de acreditar que caibam. Os proprios onibus so possuem espelho retrovisor no lado do motorista para evitar colisao com outros onibus no sentido contrario, quando em movimento! Havia dito que sao estreitas as ruas e realmente sao... As motinhos tipo scooter imperam e reinam no dia a dia, inclusive para turistas, porque se havia algo que fazia sentido naquele espaco, era isso. A capital , Hamilton, e o centro das marinas e iates clubes. Muitos barcos ancorados outros tantos docados em meio ao agito do centro da cidade e de turistas podendo consumir em lojas de griffe famosas. Diferente de Saint George que e a parte historica, com muitas ruinas e espacos conservados pelo Patrimonio da Humanidade. Gostamos muito deste local e os habitantes da ilha colaboraram em nos encantar com sua atencao e cortesia. Parece que este clima se espalha que ate os tantos turistas americanos, chegando nos barcos de cruzeiro, conversam e perguntam, saindo realmente fora dos padroes americanos de recato. 
Um recanto... Nenhum livro lido sobre a ilha ou uma navegada pela internet faz juz ao que lindo! e Bermudas mas muitos velejadores e turistas ja sabem disso. Neste ano, estavamos todos la. .
Luiza no paredao, turistas ao redor e ginastica, em funcao da mare, para voltar para o barco.
Michael Douglas, o ator e sua esposa Catherine Zeta Jones, tambem atriz ( a linda morena do Zorro, versao moderna ) possuem casa na ilha e residem la na maior parte do tempo ocioso, porque nao sofrem assedio O povo e discretissimo e possibilita desta forma, a circulacao de muitas *estrelas* pela ilha. Alias, somente cidadaes das Bermudas podem comprar ou construir residencia. Turistas, trabalhadores sazonais, somente podem locar e a precos altissimos, fora de orbita mesmo. A alimentacao tambem, muito cara. Pao de forma por 5 dolares para se ter uma ideia. As verduras e frutas voltaram ao velho padrao de venda por quilo ( nos EUA era tudo *pound*) mas se facilitou o raciocinio, nao barateou em nada no final. 4 dolares o quilo de tomate. Nem nas Bahamas foi assim...
Acreditamos por estar no meio do nada e perto de lugar algum, por mar, sendo abastecida em tudo por navios que veem a ilha de tempos em tempos, que a justificativa era valida. Descobrimos que nao adiante, em Acores. E apesar dos altos precos tivemos que comprar um alternador novo porque o nosso, rateando desde os EUA, nos deixou mesmo na mao. 
Passeando e conhecendo.
Encontramos brasileiros vivendo por la ha alguns anos, do Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Bandeirinha brasileira na janela, chimarrao ao final da tarde e muita emocao boa nas excelentes conversas e risadas, que trocamos naquela casa sensacional e na pracinha da cidade. Depois, coincidencia maior, de que haviam ali amigos comuns dos que moram no Canada mas que conhecemos bem la no inicio de nossa aventura, em Grenada. Fez, esse encontro com todos eles, inclusive com uma outra brasileira morando nos EUA, um agrado muito grande em nossos coracoes .

Esse era o point do Gui... Ficamos sete dias quando nem imaginavamos passar mais que algumas horas por la. Falamos com Caique e Debora via internet, depois que descobrimos uma pracinha onde podiamos pegar o wi- fi free!! Eles haviam parado na capital, dois meses e meio antes, quando tambem fizeram esta rota, como tripulantes num mega. A familia Passow havia passado inteira, em situacoes diferentes, pela mesma coordenada e mais: tambem uma enorme colmeia que nos acompanhou desde a saida, mais de um ano antes, ainda no trajeto Saint Maarten-EUA, usando nosso mastro como morada. Bem que tentamos despeja-las mas parece que tambem lhes foi de agrado a ilha porque nos abandonaram, da noite para o dia. Deixamos centenas de clandestinos, sem a menor intencao, em Bermudas... 
Gente bonissima!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Avisamos tambem amigos, que provavelmente acenderam todas as velas disponiveis para que tudo desse certo conosco nesta travessia,que estavamos bem e que continuassem no mesmo embalo: estavamos efetivamente indo para Acores. 
E da-lhe papo!!!!!!!!! Ficou assim, para tras, um pedaco de terra que apoia velejadores que seguem seus caminhos, que abraca seus tantos turistas que chegam em navios de cruzeiro e por aviao, dada as poucas horas de voo dos EUA para la. Ficou tambem para tras uma terra que abriga, entre outros, brasileiros corajosos que por muitos anos se mantem afastados de seus parentes e foram construir suas vidas, usando o idioma ingles como lingua oficial. Acho que entao, entendemos de fato, independente da forma como chegaram, que sempre se pode inovar, correr, ir atras, construir, reconstruir e ser feliz. Mesmo que para isto aconteca em um pedaco de terra distante, banhada somente pelas aguas salgadas do Atlantico Norte. www.familiapassow.slide.com
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