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CEUTA

 

 

Nao espere ler sobre tempestades, tripulacao em desespero por ventos fortes, tudo caindo do lugar, Luiza dando suspiros de adeus.
Foi a perna das calmarias…
Encontramos ventos amenos e constantes nos dois primeiros dias e depois mais fortes, ja chegando em Gibraltar. …Mas nos outros…

 


O Atlantico parecia um lago. As unicas ondulacoes maiores eram de golfinhos que podiamos ver de longe, muito longe, se aproximando para brincarem ao redor de nossa proa. Virou a grande atracao porque a monotonia foi intensa. Dias bonitos, frescos, velas constantemente sendo arrumadas em busca de brisas quaisquer…
Entenda-se agora como um mero relato porque ninguem reclamou de nada nao.
Poderia ter sido muito ruim este trecho. Saimos com a previsao de tempo para 5 dias mas os outro cinco, so se pegassemos por radio porque o weather fax nao alcanca a transmissao nesta regiao.
Com certeza foi bem vindo o tempo nada extremado mas volto a dizer, calmaria acaba com o animo.

 


Este ultimo trajeto que nos parecia “ ja na mao…” teve o peso das renovadas manobras de cada um de nos em reencontrar  Dona Paciencia , da sapienceia em controlar nossas ansiedades, de sabermos que nosso velho motor Perkins nos assusta mas efetivamente pouco nos abandona e da agilidades do Gui em subir no mastro, rebolando junto com pendulo do barco no meio do Atlantico “ Lago”.

Dois dias depois que saimos de Faial, o motor do nada parou. So poderia, pelo ruido, ser sujeira prendendo as valvulas mas nao havia como ter certeza. E se fosse, nem como arrumar. Poderiamos ir com os ventos amenos que estavam nos acompanhando ate entao e rezar por melhores proximo a Gibraltar. Ou antes, porque sem nosso motor, poderiamos ter que ir para Portugal ou Canarias. Cartas nauticas tinhamos e o resto so para frente teriamos que decidir.
Mas no terceira dia, justo com aquilo que contavamos, o vento, comecou a diminuir, a diminuir e ao entardecer, sumiu.
- Logo volta, alguem falou.
      - Certeza, outro respondeu…
Era o tal do otimismo necessario mas nao necessariamente verdadeiro…

 

 

( Trabalhando pra pagar a viagem...heheheheheheh)

 


Bem, Luiza ficou por la, boiando, boiando, boiando. Depois boiando sem vela alguma e entao, nosso estaiamento de forca, caiu. Desde nossa segunda temporada na Venezuela, quando foi reforcada sua fixacao no mastro, nao havia dado mais problemas. Mas aconteceu ali, no meio daquela situacao irritante como so uma calmaria consegue ser.
Foi quando Guilherme tentou subir no mastro mas com tanto pendulo e o consequente tetrico movimento, que Fernando tentou o motor novamente e nosso AMIGAO, QUERIDAO, O MOTOR DOS NOSSOS SONHOS! pegou, girou e voltou a funcionar….
Guilherme aproveitou para recolocar os estais ja com o barco em movimento compassado e menos um problema.

 

 

( Na saida de Acores, mareada, pra variar....)

Motorzao la, trabalhando. Nem nos olhamos. Nem comentamos. Nem rimos. Fizemos de conta que tudo estava certissimo, que nunca havia parado, aiaiaiaia, que maravilha!!!!!!!!!!!!!!! E que continue esta danada desta calmaria que a gente agora engole ela!!!!!!!!!!!!
Ela continuou mesmo e nos motoramos muito, algo em torno de 48 horas sem parar ( motorzao Querido! na orelha ) ate comecar a vir um leve, muito leve vento, algo mais para “ um sopro de esfriar sopa”, segundo o Gui…
Velas de novo.

Muitas e suadas milhas ficando para tras e menos milhas para o destino.


Dois dias antes de entrarmos no Estreito de Gibraltar o vento aumentou na proporcao que comecou tambem a aumentar o volume de grandes, enormes navios, na area. Nao dava para relaxar a vigia nem para ficar com um pontinho sequer de visao cega, do cockpit. Descobri isso lendo um livro entretida e girando o corpo no proprio lugar abrigado das ondas, sem levantar para olhar por boreste…Quando a consciencia pesou e levantei, Nossa! era grande mesmo, iria passar em paralelo sem chance de nos pegar mas com a real possibilidade de nos assustar…Aprendi.

Os turnos ate Acores foram divididos, todos tinhamos um padrao.
Nesta perna, a situacao folgou e quem estava mais disponivel ou se propos, ficou de vigia mais tempo.
Foi o unico periodo que consegui ler e escrever e isto ajudou a me manter mais entretida e mais tempo no cockpit, por opcao. Conclusao, Fernando e Gui relaxaram legal neste trajeto, foram cada vez mais aprimorando suas partidas deTrilha;
dedicando-se a cozinha de um jeitinho caprichado nos lanches ao final da tarde, como mais um esporte.

 

 

( Acabou a epoca da " fartura". Ali nao " fartava" mais nada....)

 

 

 




Todas as revistas compradas em Acores puderam ser devoradas por todos e voltou a ter muito assunto variado no barco!
- Voces viram como falam do Brasil nesta revista?
- Vi sim, nunca imaginei. O relacionamento esta estreito eim ?

A Europa comecou a bater efetivamente a nossa porta e o conteudo de seu dia a dia sob a visao dos portugueses .
Interessantissimo. Novo. Diferente. E bem mais facil de entender do que nos EUA, com o nosso ingles muitas vezes vergonhoso ( o do Nando e meu…)

 

 

( O tedio leva a isso: pose para foto no " passeio " pela proa...) ( ...Atencao para a genoa....)



Nao pegamos peixe algum nestas 1000 e poucas milhas. Nos tentamos: eles e que nao cooperaram.
Vi uma baleia passar rente ao costado. Nao era gigantesca e foi a unica.
Fernando viu mais duas nas pernas anteriores.
Tartatugas continuaram a nadar na superficie calma daquelas aguas e eram grandes.

Nosso radio ssb comecou a pegar as estacoes de Portugal e Espanha, as noticias de la e do mundo, do Brasil ( o acidente grave da Tam em Sao Paulo…) e fomos sentindo a proximidade urbana. Com ventos entre 30 e 35 nos de traves, fomos nos aproximando da entrada do Estreito de Gibraltar, velejando no meio do mar crescido.

Na medida em que comecamos a visualizar os contornos de terra, o vento comecou a diminuir e nosso Perkins foi acionado mais uma vez…Todas as instrucoes de Debora e Caique voltaram a tona mas eram 7 horas da manha com boa visibilidade em lindo dia de sol. Nos mantivemos atentos e foi facil: o desejo de chegar nao nos permitiru ficar estaticos nestas ultimas milhas.

 

( Ansiedade comprovada. Pandora sempre alerta quanto a " terra". Por que sera, nao e????)



Conseguir enfim perceber em detalhes o continente da direita, o canal e o continente da esquerda, foi uma sensacao maravilhosa.
Devagarinho ir avancando, entendendo o que e na pratica aquele lugar absolutamente unico em movimento de embarcacoes, no relevo e na posicao geografica.
Ter ganho, da natureza, corrente e brisa a favor do Mediterraneo, depois de 37 dias de agua, muita agua ao redor…
Marrocos, Espanha, logo mais Portugal. La na frente Gibraltar, do lado esquerdo. Na proa o Mediterraneo e por boreste, depois de Marrocos, nosso proximo porto: Ceuta.

 

 

( Marina Deportiva de Ceuta!!!! )

Entramos no grande molhe da Cidade Autonoma de Ceuta, Espanha ( mas ao lado do Marrocos ) junto com rajadas de ventos que nos fizeram despertar de tudo aquilo, em ritmo de sonho.
Localizamos rapido a marina, fizemos contato por radio e em minutos, cabos da proa lancados para o dockmaster na
doca e popa presa na boia fixa da marina. Ora, se e padrao a ancoragem no Mediterraneo exatamento no sentido oposto ( popa na doca e proa presa na boia da marina) isto passamos a saber depois…De qualquer forma, o Luiza nao segue padroes e importante foi que estavamos de fato ali.

 

 

( Luizao EM Ceuta !!!)



Este maravilhoso way point foi-nos dado por um grande amigo e velejador sapiente gaucho, Emilio, que com esta, ajudou pela segunda vez a tripulacao do Luiza. Foi uma excelente dica em todos os sentidos: lugar, marina, precos e beleza local. Fora a simpatia escancarada dos espanhois.

 

 

( Visao parcial do molhe protegendo a marina. Ha um maior protegendo o complexo todo )



Nunca haviamos ouvido falar em Ceuta. Nunca imaginamos exister uma cidade pertencente a Espanha ao lado do Marrocos. Santa ignorancia, sadia ignorancia, ignorancia apenas. Pra bem da verdade, problema algum. Ali e naquele momento, passamos a ter consciencia daquele cidade movimentada e muito bonita, com a historia acontecendo no meio do calcadao, em suas ruinas, fortes, construcoes.

Pandora pareceu concordar e sem mimo algum, saiu do barco e em segundos corria feito louca pela doca .

 

 

( Cultura no calcadao....)



Tomamos cada um belo banho sem controle algum de agua que serviu alem do obvio para espantar o cansaco e fomos comer.
Tim-tim, cheers, prost, salut, e risos.
Na hora de deixar uma gorjeta, discussao. Amena mas discussao.
Fiquei de fora so observando e entendendo que todas as tensoes la fora, no meio do Atlantico, tiradas de letra, tinham vindo a tona de forma branda…E quem viu e quem ve: a gigantesca diferenca inclusive em uma discussao de momento, nos dias de hoje, dos primeiros tempos…

 

 

( Construcoes centenarias. Detalhes historicos.)


Tenho certeza que cada um ve que melhorou. Que cada um de nos sabe que mudou. Que cada um sabe quanto sapo comeu. Quantas noites pensando e quantos dias calando. Nem um mais que outro mas absolutamente todos nos cinco.
Tambem sei que todos temos consciencias enormes dos defeitos do outro. E dos acertos.
Vejo nossos relacionamentos mesclando-se aos aprendizados de convivencia. Vejo irmaos unidos, vejo filhos dentro do contexto familiar, vejo pais que aprenderam muito com filhos, vejo casal , vejo familia.
E nao estou so nesta visao. Conversas enormes e silencios necessarios entre cada um de nos mostram sempre que temos visoes similares quanto aos nossos crescimentos…O que nao nos imuniza para novas brigas, discussoes acaloradas, diferencas gigantescas de ponto de vista e de desejos.

 

 

( Influencia da vizinha, colada mesmo Marrocos, nas ruas.)

Fernando e eu somos a uniao de diferentes criacoes, la de nossas familias de origem. Uma absolutamente permissiva e a outra, absolutamente repressiva. Nossas historias se cruzaram muito cedo, la pelos nossos 13 anos de idade e desde entao, so temos construido. Ao longo desses anos muitas vezes perdemos o rumo e novamente juntos, fomos atras dele. Ali, aos 49 anos de idade, uma discussao em Ceuta…P a r a  tudo!
Estamos em Ceuta galera! C e u t a! Vamos acordar eim??????

Debora e Caique ficaram atonitos quando conseguimos falar na internet, nossa posicao. Estranharam, pensaram que estavamos misturando nome e lugares , nunca ouviram falar de cidade espanhola ao lado do Marrocos… ( Bem, ate bem pouco tempo nao tinham nem nocao de onde era o Caribe...)

- Nem nos, mas existe pessoal. 

 

 

( Calcadao. )


Trocamos muitas conversas sobre a travessia, a entrada de fato pelo Estreito, o movimento intenso de embarcacoes.
Eles nos contaram do andamento de seus trabalhos a bordo no atual powerboat onde trabalham e dos lugares na Italia por onde estavam passando.

Fizemos planos de nos encontrar em Mallorca, quando fosse possivel.

Iriamos para la.


Estavamos todos juntos, mais uma vez, em um mesmo continente.