Familia Passow

Vivendo uma Aventura! Living an Adventure!
Luiza, nos e um cao
Familia Passow
Brasil e o Jaibe
Venezuela
Trinidad & Tobago
Grenada
Ilhas Virgens
Sint Maarten
Saint Lucia
Venezuela 2
Granadinas
Sint Maarten 2
Rep Dominicana
Bahamas
U.S.A
U.S.A 2007
Bermudas
Arq. dos Acores
Ceuta - Europa
Mediterraneo
Espanha
Canarias
Atlantico
Retrospectiva2008
2009
Family Passow
Brazil
Mapas
Contatos
 

 

 

DO MEDITERRANEO AO CARIBE PELAS ILHAS CANARIAS,

 

EM SOLITARIO

 

 

 

 

 

 As Ilhas Canárias são um arquipélago espanhol no Oceano Atlântico, ao largo de Marrocos, constituindo uma Região Autónoma da Espanha. A área é de 7447 km² (décima-terceira Comunidade espanhola em área); a população em 2003 era de 1 843 755, em 2005 quase 2 000 000, correspondendo à oitava região mais populosa. A densidade demográfica é de 247,58 hab/km²

 

 Nos noticiarios da televisao de Mallorca, as Ilhas Canarias sao tema direto.

Mais que sobre o ultimo acidente aereo, onde o aviao decolava para la, falam sobre o cotidiano.

 Regiao Autonoma da Espanha, atuante, faz com que por isso a distancia de mais de 2 mil quilometros entre o Continente e ela, transforme-se como se fosse em zero.

 

Quando acontece o final da alta temporada de turismo em Mallorca, muitos trabalhadores que quedam-se desempregados, trabalham os demais meses do ano nestas outras ilhas espanholas.

 Turismo e manutencao de barcos sao os grandes viloes de emprego mas, com a enxurrada de imigrantes ( na maioria argentinos ) cada vez mais deixa de ser uma boa opcao.

 

 Para velejadores e um referencial,  quando se fala de travessia no Oceano Atlantico, nestas latitudes.

 Lugar para ultimo abastecimento, reparacoes de ultima hora, descanso e entao, muito mar pela frente.

 

 

 

 

Inicio do mes de setembro de 2008, Fernando voltou a velejar no Mar do Mediterraneo.

De Mallorca foi para Ibiza e depois Fomenteira ( ambas pertencentes as Ilhas Baleares ), onde pernoitou na ancora, com fortes rajadas toda a noite.

Lhe encantou a areia branca e a agua azulada transparente, lembrando Granadinas, no Caribe.

 Na sequencia, rumou Cartagena, onde  passou o dia ancorado.

Nossos telefones celulares nos proporcionaram comunicacao direta e varias vezes por dia nestas primeiras milhas de sua viagem. Foi uma re-adaptcao para todos.

 

Fez sua rota proxima ao Continente para atravessar do Cabo de Gata ate Ceuta, cruzando apenas uma vez o caminho dos grandes navios que circulam no Mediterraneo.

 

Pegou muito vento, fazendo o Luiza deslizar a favor a 9 knots como tambem teve que motorar para, muito devagar, passar o Cabo de Palos, sem vento e com corrente contraria.

 

Domingo, parado em Almeria  ( Costa do Sol ) tentou viabilizar de vez o Piloto Automatico que insistia em nao funcionar. Na segunda feira, cedo, com sol mas sem vento, saiu para Ceuta, aonde ficaria ate ter boas condicoes de sair, definitivamente, pelo Estreito de Gibraltar.

 

Barco e ele se integrando novamente.

Pandora de volta ao mar.

 

 

Guilherme e eu, que ficamos em terra sabemos que a nocao de tempo dentro do veleiro passa a ser percebida pelas milhas avancadas, pelos cafes consumidos, pelas anotacoes e conferencias de way points e condicoes metereologicas, pelo dia e pela noite e pelos periodos de sono.

O radio vira fiel companheiro.

O mar, ponto de atencao e descanso visual. O ceu e observado como promessa de tempo bom ou nao e a lua cheia, num mar tranquilo, nos proporciona um visual melhor das milhas que temos pela frente.

Agregado a tudo isso, em solitario, havera um cansaco de maior expressao dado

o tempo necessario para atender e cuidar dos detalhes do barco, em movimento e no movimento.

Sabemos todos que cada velejada e unica e que esta, para nosso capitao, especial.

 

 

Enquanto nao chegam fotos de Fernando, momentos de Pandora ainda em seu periodo Mallorca...

 

 

Noite anterior ao retorno para o barco.

 

 

 

Sessao banho sim senhora!!!

 

 

E descansar para depois, velejar.

 

 

A ultima comunicacao conseguida com Fernando foi saindo pelo canal de Gibraltar no dia 18 a tarde, com previsao favoravel para os proximos cinco dias.

 Sem combinar, Guilherme, Caique e eu ligamos naquele mesmo dia, cada um pelo menos uma vez, de lugares distintos para falar com o capitao e desejar mais uma vez, otima travessia.

 

 

Debora, no Canal do Panama, ocupada trabalhando, nao conseguiu comunicacao.

 Passou no barco em que hora trabalha, pela eclusa de Miraflores no Canal do Panama, em direcao ao mar do Caribe, dia 22 de setembro, 17.30 h.

Ficara ainda uma semana naquela regiao da onde saira direcao a Trinidad,

navegando proximo  a costa colombiana e venezuelana, esta ultima sua antiga conhecida.

 

 

 

Nem de lupa acharia ela e toda a tripulacao no conves, conforme falou que estavam. Nao importa: ja ajuda a matar as saudades!!!!

( Obs: nao e o cargueiro...e o azul hehehehehe)

 

 

 

 

 Carlos Henrique, de volta em San Diego/ California, com o barco novamente no estaleiro sendo preparado para ir pela America Central ao Caribe, aos finais de semana, para relaxar, inventou algo fora da agua...Clique no link abaixo e desfrute seu primeiro salto de paraquedas !

 

http://www.youtube.com/watch?v=aUzfJp7mv50

 

 

 

 

 

 

 

Visualizacao aerea do Porto de Las Palmas, face norte da ilha.

 

 

 

No dia 28 de setembro, quase meia noite, Las Palmas nas Ilhas Canarias recebeu mais um velejador.

Fernando jogou a ancora por detras do molhe do porto depois de ter feito esta perna de 720 milhas desde a saida do Estreito de Gibraltar.

Esteve no mar por 10 dias e noites, entre calmaria e uma depressao vinda do sul.

Entrou no susto ha 300 milhas do porto, com ventos que fizeram muitos estragos em Las Palmas pois chegaram com 65 milhas de vento. ( Ha processo correndo contra a Estacao Metereologica de Las Palmas pela total falta de informacao sobre a tempestade .)

No meio dela, com pano reduzido, Pandora na cabine, piloto automatico e o capitao no controle,

Luiza saiu-se perfeitamente bem tendo como resultado somente duas xicaras quebradas.

O cafe derramado doeu mais no peito porque refaze-los, com o barco aos trancos e solavancos nao foi nada facil...

 

Depois calmaria!! ... e uma pequena descostura na vela mestra.  Sem ter protegido um pequeno parafuso, o rocar do pano levou a isso. 

 Bem, costurar sempre foi um oficio a que o capitao compareceu com parcial alegria nas tantas outras velejadas em que todos estavamos.  Nesta, tambem tomou  a pequena empreitada mais uma vez para si; mesmo porque nao tinha outra opcao.

 Inclusive nos  relatou por telefone, ja abrigado pelos molhes, que nao se incomodou com o trabalho mas sim de nao poder botar a culpa em mais ninguem... 

 

 

Permaneceu uma noite ancorado e dia seguinte foi para uma das marinas do porto.

Ao preco de 9 euros por dia ocorreu a natural comparacao com os precos exorbitantes encontrados por nos, quando ainda em Mallorca.

E tambem a hospitalidade.

 Em Las Palmas, sorrisos estampados, prestatividade nos servicos, atencao ao cliente. Tudo de mais simples que se pode querer para quem acabou de chegar...

 Outro pedaco da Espanha que tambem vive do turismo com a diferenca que aparentemente, gosta dele.

 

Comida comprada e entregue no veleiro, sono em dia, momento de vivenciar o ambiente, conhecer outros velejadores, fazer um jantarzinho para novos amigos e falar sobre barcos e mares.

Muitos barcos ancorados.

 Tantos paises em uma mesma doca. Bandeiras coloridas, distintas linguas para a comunicacao incluindo gestos,  as mais variadas idades cronologicas e no entanto, o mesmo espirito.

 

A Fernando pareceu que em lugares geograficamente distantes, a alma do velejador deixa de ter defesas por poder compactuar com outras almas arrojadas, sem as correntes da vida convencional em terra, suas alegrias e seus medos.

De duas uma: ou e esta forma de viver que vai nos libertando dos cliches ou ja nao temos os tais cliches e no meio do nada, nos damos conta.

 

Seguramente nao de forma tao seria mas profundamente verdadeira, o estar so, optar por isso, ter prazer nisso e junto disso, querer chegar, so pode ser para os que tem a vontade e a garra em ser feliz.

Um dia velejando pode supor esta sensacao. 100 milhas em solitario tambem. Mas, uma travessia, da o aval. Ainda mais em um barco com apenas os minimos recursos tecnologicos, que nao esta competindo em regata, que nao se dispoe a bater recordes, que nao almeja entrar pra Historia mas apenas, fazer a sua propria.

E...o caminho hoje para Fernando, passa pelo Atlantico que banha Canarias.

 

 

 Numa conversa regada a vinho, depois de uma travessia, em um daqueles momentos que se resume as imensas ultimas emocoes,  levantamos a  possibilidade de que quem viaja so, em um veleiro, o faz basicamente por possuir muitos parafusos a menos,  OU a mais.

 Acreditamos todos da familia, que sao para mais e que Fernando nos sustentara na hipotese, mas

no fundo, a importancia e zero.

Entendemos ha muito tempo que o caminho para viver o que se pretende, e recheado de controversias e opinioes diversas. Para os que necessitam ter sempre o apoio de uma maioria, o resultado sera sempre a frustracao.

Para quem se da o direito a crer e vivenciar seus sonhos, colhe alem de uma aventura: passa a ter respeito por si proprio.

 

 

...Durante 23 dias ficamos todos da familia conduzindo nossas vidas e aguardando noticias do nosso capitao, quando chegasse em algum ponto com linha telefonica ou conexao de internet.

No dia 28 de outubro, atravez de um telefone por satelite, Fernando emocionado falou comigo: o Luiza havia sido abalroado distante algo como 300 milhas das Bahamas por um grande cargueiro de bandeira grega.

 Pandora e ele haviam sido resgatados pelo mesmo barco, ainda sob a luz do dia e naquele momento, menos de 24 horas depois do ocorrido, conseguiu nos avisar que estava vindo para os Estados Unidos,

e entraria em 4 dias pelo porto de Louisiana, Nova Orleans.

 

Nao passou mais detalhe algum, reforcou que estava bem de saude, que tinha consigo

todos os documentos pessoais e do barco e que estava sendo bem tratado.

 

Nao perguntei absolutamente nada mais porque a noticia era boa.

Ele estava bem, vivo, salvo e junto, nossa Pandora.

 

Mas certamente, queremos todos saber com mais detalhes.

Momento de aguardar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

05 de novembro de 2008.

 

 

 

 

 

 

 

 

.