VENEZUELA - O RETORNO ( Pandora foi namorar ! ) 
Nao havia movimentacao alguma de dingues nem de veleiros no canal de acesso as marinas, em Puerto La Cruz e isso durou ate a reuniao com Chaves e Fidel, entre outros, acabar. Somente a Guarda Costeira e as lanchas menores deles, com direito a circulacao. Esperamos contrabordo a um galpao, onde justamente tivemos a autorizacao de ficar. 2 dias depois, ancoramos exatamente na mesma marina e no mesmo lugar do ano anterior. Estava tudo igual. A mesa, o banco, as arvores, a grama por fazer, as iguanas, os coqueiros e os franceses. Nos, no entanto, haviamos mudado. Menos ansiedade porque em cinco meses, voltariamos a Sint Maarten ja sabendo exatamente o que encontrar. Nesse meio tempo, iriamos ao Brasil. Um grande amigo nosso veio com esposa e duas filhas para ficarem no Luiza, conhecerem a Venezuela e, principalmente, cuidar de Pandora... Pois e, quem tem cachorro a bordo, tem disso e so os verdadeiros amigos entendem, mesmo que falem outra lingua, venham la da Inglaterra onde as demonstracoes de afeto sao bem mais reservadas... Desfrutaram daquele pais e nos, sossegados, de nossa cidade. Mas a grande surpresa aconteceu antes de irmos ( e deles chegarem): Pandora, na minha frente, fugiu e em questoes de segundos, encontrou um namorado. Bonito, um dos muitos cachorros que circulam pela marina, mas o unico que nao era castrado.Fomos ao Brasil, voltamos, o tempo passou e aconteceu o obvio: nasceram 11 " perritos" negros, como ela, todos vivos e saudaveis, no cockpit do Luiza. E, tambem obvio, ficaram la ate serem doados na idade permitida...Isso durou aproximadamente dois meses e fomos velejar pelas redondezas, com 12 caes e nos a bordo...Voltamos rapidinho, ate porque o motor comecou a piorar de vez. %20de%20PA100009.JPG)
( Mae e assim mesmo...) Pequeninos eles nem incomodavam mas crescem rapido e choram, latem, brincam e sujam muito mais. Nao gosto nem de lembrar e por mais que sempre tenhamos gostado de cachorros, foi um periodo muito trabalhoso. A sorte e que Debora arregacou as mangas, revezamos sempre que possivel e o bom humor, ate como prioridade, nos ajudou. Bem, salvo em momentos de querer joga-los todos na agua. Mas passavam. Fernando tambem deu sua cota de colaboracao ajudando a unir o bando para um banhinho coletivo ou segurando parte do bando enquanto outra turma mamava.A propria Pandora ja nos olhava de forma inquisidora: quando esta tortura iria acabar... ( Agora aguenta as consequencias mocinha, aguenta ! ) Manter o espaco limpo era fundamental por nos, pelos caes e claro, pelos vizinhos a meio metro, de cada lado. Colaboraram muito porque o " cheirinho " eram inevitavel e nunca reclamaram. Mas houve um Dudu. O ultimo dos moicanos porque sobreviveu a tres incidentes e apos o ultimo, ja com os coracoes apertados, ficamos com ele. Era mais uma loucura mas simplesmente nao conseguimos deixa-lo para tras. %20de%20PA110013.JPG)
( Dormindo eram como anjos...) Nao pudemos passear pela regiao como gostariamos por esta questao obvia de bercario a bordo e porque o motor havia sim, ido longe demais: cabecote para ser retificado, valvulas, sedes e guias novas. Foi a novela ! Mecanico chamado uma, duas vezes, com horario marcado e, nada. O tempo passando e Fernando resolveu abrir por conta propria. Mandou retificar, comprou o que foi necessario novo depois a questao seria montar. Passaram dois meses e quando veio da retifica, o cabecote estava mais danificado do que quando foi. Levou entao para outra retifica que entregou, depois de mais briga, em um mes. Mas o trabalho nao ficou bom tambem. Fernando montou dessa forma o motor e conseguiu com que funcionasse aos trancos e barrancos. A tal famosa questao por la: falta de qualidade. A tal falta de cumprimento nos prazos. O tal descaso. Resumindo dessa forma parece coisinha a toa mas vivenciar tudo isto e se chegar a um resultado que ficou longe do necessario em algo crucial como um motor, foi demais. Nos tinhamos prazo para estar em Sint Maarten de novo, compromissos agendados e 3 meses e meio em Puerto La Cruz nao haviam sido suficientes, apesar de todo o esforco de nossa parte. Agora haviamos passado a sentir na pele o ja comentado jeitinho "maroto". Entendendo e falando o espanhol, imaginem ! Tiramos o Luiza da agua para ver a pa do leme e substituir o necessario, vedando finalmente tambem o necessario. Foi pintado o fundo, retocado costado, lixado o conves e repintado. Manutencao normal. Muitos barcos fizeram o mesmo neste periodo, entre todas as marinas disponiveis por la. Ja e praxe mas com os precos subindo a cada ano em funcao da procura, nao sei ate quando seguira este rumo... A previsao de que muitos veleiros estariam por la se confirmou e foi uma temporada de muitos furacoes mesmo. O Katrina devastou New Orleans e o Wilma, pegou Miami. Bem nessa epoca, o barco que Caique trabalhava estava por la e sofreu as consequencias, como tantos. Afundou. Neste periodo nosso filho estava de ferias no Brasil e as perdas foram somente materiais. %20de%20PA120015.JPG)
(Da-lhe Bingo !!!!!) Debora conseguiu se superar nesta temporada e aproveitou ainda mais com amigos do ano anterior e novos. Conseguiu conhecer mais da Venezuela e seu espanhol so teve a ganhar, fora a beleza da convivencia com jovens da mesma idade. Nos, recebemos a visita do irmao do Fernando, esposa e sobrinho. Dias muito bons regados a cervejinha, carne e uma boa soneca nas redes. Um excelente periodo. 
Guilherme voltou dos EUA e aproveitariamos para subir conhecendo, parte do muito ha ser visto do Caribe. Impressionante como num espaco pequeno de um veleiro, as saidas dos tripulantes abrem espacos onde ate nos sentimos perdidos mas no retorno, promovem um aconchego de um valor imensuravel. Rapidamente todos se adaptam, as malas se encaixam, as roupas cabem organizadamente nos armarios. E cada um, nitidamente, traz junto seus crescimentos, suas vivencias que somadas as primeiras, e mais as de Fernando e Gui pela Costa Brasileira, nos orientam ainda melhor para as nossas verdades. Nada como descobrir que somos unicos, enquanto individuos e que so podemos ser o que conseguimos. Que nao ha verdades absolutas nem so buscas teoricas. Que o que nos faz feliz e poder ir somando, agregando, consolidando o que acreditamos ser o melhor. No nosso caso, qualidade: de vida, de sentimentos, de palavras, de conteudos, de relacionamentos. Nao precisaria ser em um veleiro nem nas condicoes dificeis que passamos mas foi exatamente como pudemos... Assistimos muita televisao e conseguimos ver o final de muitos filmes interrompidos no ano anterior pelas aparicoes de Chaves. Mudamos nossa percepcao e redescobrimos uma Puerto La Cruz linda. E suja tambem, com onibus totalmente estragados, bancos furados, volume alto numa caixa de som residencial, colocada ali, improvisada. Ha muita pobreza e muita dificuldade para se achar o pao de cada dia. Mas naquele confusao do sangue latino ha mais do que vemos: ha tambem o que sentimos do povo. E eles sao alegres, otimistas, gentis. E sempre sera assim: tudo depende de como nos permitimos enxergar... Nesta temporada haviam mais barcos brasileiros por la e novos brasileiros em novos barcos. Cada um com seus planos para os proximos meses e com seus proprios tempos para se fazerem de novo ao mar. Nos fomos embora numa manha no inicio de novembro. Dentro do barco estavamos em quatro pessoas mais dois caes correndo no cockpit... %20de%20PA080002.JPG)
( Improvisando ) |