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SINT MAARTEN  - O RETORNO

 

( Decisoes que nao se compram nem com cartoes de credito...)

 

 

(  Luiza ancorado em Cole Bay, Lagoon . ) 

 

Nao foi nem de perto igual ao ano anterior. Foi melhor. Mas desta vez, as conquistas foram mais sutis, mais elaboradas e tambem mais dolorosas. A maior delas foi a persistencia em manter-nos integros aos nossos valores. Em respeitar-nos mais uma vez e mais fortemente e nos defrontarmos com a percepcao de que isso incomodava.

 

Conclusao: driblar os obstaculos da vida sem driblar a nos mesmos.

 

Todos voltamos devagarinho ao trabalho em terra. Fernando retomou seu espaco no mesmo local do ano anterior e posteriormente, se tornou capitao de uma lancha de turismo. Debora buscou crescer primeiro no entendimento da lingua inglesa, trabalhando num restaurante americano. Em um mes se fazia compreender e compreendia o basico. Guilherme trabalhou limpando barcos, por dia. Se sentiu produtivo ate alem do que queria mas, como ele mesmo sempre diz: " se entra dinheiro e porque la na frente, vamos precisar dele". Caique, que nao parou de trabalhar desde o ano anterior, deveria estar chegando, vindo do Boat Show de Antigua. E eu fiz algumas limpezas em barcos, por dentro. Nao voltei para a lavanderia.

 

Meu ritmo foi bem mais ativo no Luiza. Tratei de envernizar parte do necessario, de restaurar parte das madeiras comidas ( agora pelo Dudu ) e de resinar nossos paineiros. Tudo na doca da pequena marina em que nos instalamos depois de um mes na ilha. Verdadeiro luxo: agua corrente, energia e espaco para a dupla dinamica de quatro patas, correr. Lavanderia no condominio em frente e uma mesa com bancos que valia ouro. ... Churrasquinhos, conversas jogadas fora, para simplesmente nos acolher ao final da tarde. Que delicia !

 

 

( Foto tirada pelo Fernando, do Solaris: bons momentos !! )

 

 Logo depois de um Natal e Ano Novo muito tranquilos, mas desfalcado de Debora e Caique que estavam trabalhando fora da ilha, conseguimos nos reencontrar os cinco. Foi um periodo dos melhores. Quanta coisa para falar sobre todo um aprendizado deste tempo. Os irmaos em comunhao e o Luiza, pura confusao. E quem liga...

 

 

( Ui ui ui !!! )

 

Haviamos aprendido neste periodo entre junho de 2004 ate dezembro de 2005 muito mais que poderiamos imaginar. Alias, desde novembro de 2002...No entanto, durante este periodo fora do Brasil, o processo foi acelerado e perceptivel ate para quem nao ficava pensando nisso. E, o " passar " do tempo, muitas vezes so com nossas esperancas dentro do veleiro, nos fez dar mais valor aos nossos antigos fantasmas, motivadores de nossa virada. Para Fernando e eu, adultos, foi uma etapa de reconstrucao e para nossos filhos, o encontro com possibilidades ilimitadas de conhecimento. Haviamos juntado, efetivamente, a fome com a vontade de comer; acertado duas lebres com um tiro so, apesar dos muitos "contra". Nao eramos nem melhor nem piores que ninguem: eramos enfim 5 pessoas em um mesmo lugar. E, opa, por coincidencia, em Sint Maarten. Nossa Sint Maarten...

 

 

 Nesta temporada conhecemos bem mais da Ilha. Com o proprio Luiza, de dingue, de carro alugado com amigos dentro mais os cachorros. Fernando, com a lancha onde levava os guest. A vida fluiu num ritmo mais equilibrado, menos ansioso e com mais momentos de qualidade. Buscamos e conseguimos o dia a dia neste ritmo mas quando todos os filhos foram a luta, no mar e de novo, Fernando e eu nos sentimos sem rumo. Digerimos silenciosamente aquela mudanca. Haviam mais espacos no barco que pretendiamos...

 

Ja estavamos acostumando-nos ao " ir e vir " dos filhos sem nunca sabermos quando os veriamos de novo. Aconteciam telefonemas e emails  constantemente mas a ausencia deles, dos tres juntos, foi dificil. Nos pareceu, naquele momento, que haviamos conquistado nossos objetivos e que estavamos, consequentemente, estagnados.

 

Devagarinho voltamos ao dia a dia. E como um premio conhecemos mais dois brasileiros que estiveram conosco nestes maus e bons momentos de reflexao sobre a vida. E aprendemos que e sempre assim: ha sempre pessoas com um conteudo enorme para haver trocas verdadeiras, de coracao.

 

Entao, decidimos nosso novo rumo, agora somente Fernando e eu a bordo: Estados Unidos! ...E Dona Jane, agora nao vai dar pra escapar do timao, dos turnos e dos cabos...

 

Dei a ideia e vesti a camisa. Nem Fernando acreditou no que viu; alias, nem eu sei da onde veio a coragem de assumir 1400 milhas sem toda a tripulacao que realmente entendia do recado, fora o Capitao. Hora de agir para podermos ir e depois entao, agir de novo para efetivamente chegarmos la.

 

Fomos providenciar nossos vistos em Barbados, instalar um SSB agora completo, trocar o famoso carrinho retorcido la em Tobago, providenciar velas sobressalentes, trocar os toldos esfarrapados, substituir capas dos colchoes e almofadas, substituir as helices do aeolico comprado no ano anterior e fundamentalmente, deixar nosso motor Perkins funcionando mesmo!!! E, por fim, um piloto automatico que aguentasse o tranco: Luiza ganhou um Auto Helm 6000.

 

Ganhamos de um amigo cartas das Bahamas e tambem um jogo de cartas da Intercostal, la dos EUA. Foram dois presentes fundamentais mas nao menos importante que a troca, de ultima hora, de um livro do Montessier por uma ancora reserva com este mesmo amigo. Nossa estoria poderia ser bem diferente sem esses " detalhes"...

 

Luiza ficou pronto, Fernando e eu. Pandora, companheira fiel, iria mas o Dudu...pois e, havia chegado a hora de deixa-lo. Foram 7 meses conosco e postergamos ao maximo sua saida do veleiro. Ficou definitivamente em terra um dia antes de sairmos da marina, com minha amiga da Republica Dominicana. Soubemos depois que estava bem mas sempre ia visitar a doca em que  ficou, no Luiza, ao longo de 5 meses.

 

Houve festa de despedida entre brasileiros que ainda estavam por la. Rimos todos, alguns dancaram na mesa. Estava encerrando ali, para muitos de nos, uma etapa. Se voltariamos para la, so o tempo poderia dizer mas, o Veleiro Luiza estava ha poucas horas de se por em rumo nordeste, com escalas.

 

 

( Saint Bartholomy, 15 milhas de Sint Maarten )

 

 

 

 

 

 

 

 

 

( Face sudeste de Sint Maarten e ao fundo, St. Bartholomy )

 

 

 

Apesar de nao ter deixado explicito ate aqui, abro aspas em escrever que nosso turismo fez parte nos percursos entre lugares mas o objetivo maior sempre foi trabalho. A busca dele. Apesar dos filhos fora do barco, tendo o direito de contabilizarem seus caixas, todos, em diferentes periodos, colaboraram espontaneamente com o Luiza. Cada qual em um pais, trabalhando em suas atividades peculiares, nao desfez nem enfraqueceu o principio de uniao do Luiza. Continuava vivo.

 

 

 Caique trabalhando...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

... Redes, agora amareladas..., ainda nos poroes do nosso barco. Menos, mas com elas. Diriamos finalmente que nao foi uma boa ideia te-las trazido ( mas ajudaram ). 

 

... Escolhemos o inicio do mes de abril para subir com folga. A intencao seria ir parando e conhecendo.

 

... Saimos sem placas solares, que fizeram falta. A uniao delas com o aeolico, seria perfeita. Utilizariamos nosso velho gerador no percurso.

 

... Bombas novas no porao e mais baterias.

 

... Desmontamos o leme de vento, retiramos o prolongamento em inox e madeira, na popa, e Luiza voltou ao seu estilo original.

 

...Nossa ida ate Barbados, uma ilha a sudeste do Caribe, para tirarmos o VISA Americano, proporcionou um maravilhoso visual, agora aereo, de todas as ilhas.