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 SAINT LUCIA

 

 

 

( Debora se revelando...)

 

 

( Descendo para Margherita, com o segundo motorzinho a bordo...)

 

 

 

Saimos inseguros mas com tudo possivel arrumado e pronto para uma velejada em duas pessoas. Eu contaria para o cafe, a comida, limpeza, puxar um cabo eventualmente, cuidar do cao mais todo o apoio moral. Debora, passado cinco meses desde a nossa chegada final a Sint Maarten tinha esquecido a promessa de nao velejar mais. Havia sido dose " pra leao" (sic). Mas Venezuela, como objetivo final nesta descida, motivava mais que as possiveis situacoes de ventos fortes no Mar do Caribe e ja haviamos aprendido o necessario: ficar proximos as ilhas, por sotavento, usando-as como abrigo cuidando nos canais entre elas.

 

Rizamos a mestra, olho na previsao do tempo.

 

A epoca de subir o Caribe comeca em novembro. Neste periodo, a predominancia e o vento de leste mas entram os de nordeste e norte. A epoca limite de descer o Caribe com seguranca e junho e ainda com ventos de leste mas entram os de sudeste e sul.

 

Conclusao das mais simples: e raro ter so o leste e voce vai cruzar com certeza, com vento contra, desfavoravel mesmo. Fora as rajadas. ( Ha tambem calmarias e neste ano, muitos veleiros motoraram e motoraram para subir o Caribe...)

 

Escaldados, fomos velejando durante o dia e ancorando a noite. As ilhas sao proximas e aproveitando  os ventos de sudeste, fomos passando por onde antes so sabiamos da existencia. S.Kitts, Neves, Montserrat ( onde ha o vulcao ), Guadalupe e pernada direta ate Saint Lucia.

 

Chegamos 11 horas da noite depois de bons ventos e ao aproarmos para a baia, uma rajada forte nos pegou abaixando a mestra. ...De novo a mocinha rasgou...Terminada a operacao, motorando, finalmente hora de descansar. Fomos dormir com o balancinho seguro dentro da baia e com um barulhinho que apesar de procurarmos, nao conseguimos identificar.

 

Dia seguinte, a revelacao: perdemos toda a pa do leme, ficando somente a barra de aco exposta. Fernando voltou atonito do mergulho. Palido! O leme nao respondeu quando recolhemos a ancora para sair. Gritos, agilidade, ancora de novo na agua!!! Mergulho no mar para identificar e...espanto, incredulidade total!!!

 

Foi dificil a constatacao da situacao: precisavamos de um leme e pior, nao estavamos em  um bom lugar. 

 

O vento apertou, o Luiza correu e acabamos proximos demais as pedras.

 

A solucao foi emendar todos os cabos disponiveis, prender nas arvores 200 metros em direcao a praia e sincronizado, recolher as ancoras, dar re, conduzir o barco ate o limite dos cabos, Debora no dingue, contrabordo, fazendo o papel do leme exatamente nos minutos que o vento diminuiria. O resto, nos rebocariamos pelo cabo. Nao havia escolha.

 

Deu certo. Nos aproximamos da praia e tratamos de nos amarrar com 4 cabos longos pela popa e ancora na proa. Estavamos seguros ate resolver o leme.

 

Fernando e Debora construiram um leme novo, no cockpit do Luiza. Cortaram, colaram, fibraram em tres dias, aproveitando os intervalos da chuva e das rajadas que chegaram a levantar o dingue ate a altura da borda falsa, mantendo-o planando com o motor no suporte ! O ultimo problema: colocar. Estavamos no raso, onde so assim Fernando poderia empurrar e nos catraquearmos, com cabos, por cima, na tentativa de ajustar. Outra vez sincronismos, malabarismos e nada.

 

Nao dava pra desistir agora, so mais uma vez e ...um barulhao! Surgiu do nada uma marola que deslocou o barco e terminou por encaixar exatamente tudo no lugar. Cada um pode concluir o que quiser mas pra nos, foi o dedinho de Deus. So ficamos quietos, com lagrimas nos olhos... Foi uma situacao dificilima aqueles ultimos dias para todos nos.

 

 

( Chegando em Margherita )

 

Dormimos a noite em Rodney Bay, ao lado, com bastante vento mas nada comparado aquela pequena baia dos ultimos 6 dias. Vela arrumada ( mandamos costurar ) e chega de inventar moda: Margherita por favor. Vento de traves, 230 milhas sudoeste. Que conhecer o resto do Caribe, que nada!

 

Tudo que Debora aprendeu na subida, com os irmaos lhe ensinando, veio a tona neste trecho e se mostrou a melhor das marinheiras dos ultimos tempos! Foi uma velejada rapida, Luiza andando como nunca, chegando em terras Venezuelanas ( Margherita e Venezuela ) as 11 horas da manha de sabado. Na Marina ao lado do Hotel Hilton, reencontramos alguns amigos do ano anterior, la de Puerto La Cruz: que saudades ! Franceses na area de novo!!

 

Nestes dias ate Margherita, so velejamos. Havia vento de sobra mas o motor, quando solicitado, comecou a nao ter forca...

 

Em terra, hora de comer carne de boa qualidade e otimo preco ( dupla perfeita para quem gosta, imagina para um gaucho...). Das cervejas baratinhas ( 30 centavos de dolar ! ) e do rum. De muita verdura e frutas assim como dar continuidade aos frangos ( se come por todo o Caribe porque a carne de gado e muito cara ). De pagar meio dolar por uma hora de internet e nem acreditar que o cigarro despencou de preco!!!

 

Margherita foi muito famosa mas perdeu seu brilho com toda a crise na Venezuela. No entanto, bom ponto de abastecimento porque os precos sao em bolivares. Mas sempre so para alguns itens. Bebidas alcoolicas sao os artigos mais procurados, sem duvida alguma.

 

Nossos filhos homens continuavam trabalhando, ambos embarcados e agora, parados nos EUA. Tempo de manutencao tambem para os grandes barcos que estao acabando este periodo de ferias nas Aguas do Caribe...

 

Aprendem seus oficios e vivenciam as dificuldades de adaptacao com o idioma ingles, que conheciam mas desde entao, passou a fazer parte do seus dia a dia.

 

Nos falamos constantemente e a distancia fisica, em absoluto, dissolveu a uniao. Nos deram muita forca via internet no momento do problema do leme. Estiveram, sem estar presentes, ligados conosco naquele momento. Nos sentimos mais fortes.

 

Iriamos ficar todo o novo periodo na mesma marina do ano anterior e a previsao era de ser uma estacao de muitos furacoes. Calculavamos que haveriam muitos mais barcos que no ano anterior, ate porque o Ivan passou proximo de Trinidad, antes tambem uma boa opcao para ancoragem e reparos.

 

70 milhas, ventos por traves e chegamos em Puerto La Cruz, escoltados com a Guarda Costeira Venezuelana porque Hugo Chaves e Fidel Castro estava num dos hoteis proximos a marina e o esquema de seguranca estava intenso. Estavamos muito sofisticados: a " Guardia " veio a bordo nos acompanhar, pela nossa seguranca...Nos, Fernando e eu, que nao nascemos ontem, percebemos o galanteio pra cima da Debora. Eles nao perdem tempo...

 

Olhamos aquela costa conhecida do ano anterior, bonita, arida, com muitos cactos e recomecamos a falar o nosso, entao melhor, espanhol... Ja nos sentiamos em casa. Isto foi dia 02 de julho de 2005.

 

 

 

( O ponto de entrada para o canal, em Puerto La Cruz )

 

 

 

 

 

 

 

 

... A internet e o grande meio de comunicacao, sem duvida alguma. O telefone existe  por qualquer cidade mas se torna caro. E, nos pontos espalhados pelo Caribe onde existe a circulacao de veleiros, sempre ha um " cyber cafe". Chegamos a encontrar numa pequena Ilha Francesa, por 20 euros a hora mas fica entre 5 e 7 dolares. Um cartao telefonico, minimo, custa 10.

 

...Existem lavanderias espalhadas  por todo o Caribe. Voce poe na maquina de lavar e depois secar. Os produtos para isso sao excelentes!

 

...O detergente liquido para loucas, arranca mesmo tudo e rapido. Chega a nao ser bom para nos que constantemente temos que controlar a agua, velejando. Ele exige bastante para enxaguar!

 

...Ha marinas em todas as ilhas que passamos. Para tamanhos variados de barcos, protegidas, com infra estrutura.