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                        ILHAS VIRGENS BRITANICAS

 

                   ( Tempo de moral baixa. )

 

 

 

 

( Hora de costurar, capitao !!! )

 

Os ventos continuaram por mais 3 dias apos a nossa chegada em Tortolla mas agora so sabiamos dele porque rodavamos na poita.  Limpamos no capricho o barco, saiu o cheiro de cao molhado do nariz mas, para ficar verdadeiramente habitavel, teria que aparecer mesmo o sol.

 

Olhavamos o lugar e outros barcos, agora no Canal de Drake, totalmente adernados. Vento e mais vento e nos safos ali na boia...( Descobrimos depois que eram barcos dos Moorings...bem, estava explicado...)

 

Ficamos sem reacao por um dia. E foi bom. Diria que necessario.

 

Usamos nosso geradorzinho para dar carga nas baterias que parado, ele ajudava mesmo.

 

Entao, depois desse periodo, comecamos com nos situar perante o Departamento de Imigracao, dando a entrada nos papeis.

 

 O primeiro susto em terra foi ver placa na lixeira, com preco em dolar, para a coleta do lixo. Parecia piada mas nao era. Nossa sorte e que nao haviamos levado nada ainda para desembarcar por la e tambem nao levamos...( Esse lixo chegou no proximo porto, desembarcado de graca!!! )

 

Depois, 10 dolares por um cartao telefonico para ligar ao Brasil ( alo! mamae!!!!) que durou 2 minutos. Dissemos oi e que estavamos vivos. Ouvimos: meus queridos estavamos preo...e plim, caiu.

 

E quase morremos do coracao, por fim, no supermercado. Se ja era caro la atras aqui nao tinha adjetivo. Voltamos pro barco corcundas de desanimo.

 

A moral baixou terrivelmente.

 

No entanto, conseguimos perceber que este lado da ilha era lindo. Que havia vegetacao. Que tinham muitos barcos.

 

Que Tortolla abriga a matriz dos Moorings, com centenas de barcos prontinhos para serem usados, em sistema de aluguel. Com skipper, sem skipper, com dingues que vao ao encontro por radio pra resolver qualquer problema que surja e o inimaginavel em infra estrutura em terra, para rodar tudo isto e socorrer no que for preciso. ( Ver um barco dos Moorings, com sua logomarca na capa da mestra, e motivo certo de medo e risos pra quem observa.)

 

Conseguimos ver o volume dos navios de cruzeiros aportando logo proximos, o tamanho deles, a beleza.

 

Conseguimos saber da grande central dessalinizadora da Ilha ( afinal, elas nao tem agua potavel...) e perceber bem ao nosso lado uma pequena e salvadora prainha.

 

Foi la que um por vez, sem precisar de desculpa, foi recarregar energias para ajudar o grupo.

 

Entao chegou a hora de ir atras do motor de arranque.

 

De refazer a altura da saia da genoa ( da polinesia, claro, a unica...) usando agulhas, cola, e mais colas.

 

De arrumar a mestra, como desse.

 

Ajeitar o leme. Engraxar o eixo do motor, com toda a graxa que houvesse no Luiza.

 

Conviver com nosso barco se transformando em verdadeiro " dalmata " na cabine, lotado das manchinhas brancas (tambem ja estava saturando as paciencias)que vinham da pintura do cockpit. 

 

Ajeitar la no mastro o estaiamento de forca ( jogado no conves desde o ocorrido).

 

Rearrumar a luz de navegacao e talvez jogar no mar o cao que havia comido tudo de novo... ( Quem teve a ideia de trazer essa " mala"...)

 

E por fim, o leme de vento que esperasse: outra epoca, outra era, outro momento seria arrumado.

 

Jogado, sujo, escondido, quase perdido no chao da revenda da Perkins estava, depois de duas idas ate la, o motor de arranque. O exato para o nosso motor. E foi Fernando quem olhou e olhou, nao se dando por vencido quando o vendendor falou que nao havia e entao, achou.

 

Sao educados a moda inglesa ate porque estamos nas Virgens Britanicas mas atendem muito mal, isto e verdade!

 

100 doletas jogadas no balcao e saimos quase correndo em direcao ao Luiza para instalar e ver se daria tudo certo mesmo.

 

Recolocado depois de muito suor e bagunca, com parafusos por todo o lado, da-lhe carga pelo gerador na bateria do motor. E haja ouvido pra aguentar o nhen-nhen-nhen continuo, dele, a gasolina, trabalhando muito tempo la fora, no alongamento ( pra nos, prainha ) do barco.

 

Quando finalmente foi ligado o motor parecia um sonho.

 

Os tres jovens que estavam vindo da cidade com o dingue e viram a fumaca saindo pelo escapamento, vieram bailando, cantando, gritando, felizes.

 

Como por encanto esquecemos dos piores momentos de dois dias antes, ainda tentando chegar, la no mar...e tambem de todo o periodo que ficamos sem motor. Foram quase 20 dias.

 

Beijos, abracos, alegria.

 

Jantar com mais de uma luz ligada e depois, recomecar os planos.

 

Alias, a questao era so terminar todo o resto ja comecado e ir embora. Agora, rumo sudeste mas claro, ainda Sint Maarten.

 

"Janela " no tempo perfeita e confirmada por um amigo brasileiro que reparava seu barco la em Trinidad e agora estava por aquela area tambem com a esposa. "Folders " na mao da Ilha tao desejada conforme promessas, horarios da ponte de acesso ao Lagoon , cocas colas doadas no momento da saida e imediatamente tomadas ( uhm! como e bom !!!) e tchau tchau Ilhas Virgens, ate um dia de novo !!!

 

Estas ultimas 75 milhas ao objetivo, parece mentira, foram tao ruins quanto as 450 da subida...Parece que foi nos fazer ao mar que tudo surgiu, avolumou de novo, na sequencia chuva, vento e ondas.O barco so batia. O desconforto so aumentava. O desgaste do Luiza era eminente. A tripulacao so agia, nem pensava.

 

Durou 21 horas o dramalhao. Quatro horas da tarde do dia 21 de janeiro de 2005 jogamos nossa ancora nas aguas de Simpson Bay , aproados para a ponte que da acesso ao lagoon, lado holandes. Em uma hora estariamos la dentro, abrigados. Aproveitamos estes minutos ate a abertura da ponte ( que tem sinal verde-vermelho ! ) e colocamos tudo molhado pra fora, no cockpit para arejar um pouco, limpar por dentro, passar algum ultimo pano seco ( ou camiseta, qualquer coisa seca ) pra sugar um pouco da umidade espalhada pela cabine.

 

Na hora certa, tirada a ancora, Fernando motorou vagarosamente e comecamos a entrar, todos fora, querendo ver tudo, desde o inicio, do lugar que para nos era o grande objetivo. Fomos indo, entrando e percebemos todos que havia muita gente, estrategicamente situados acima da ponte, com visao para todos os cockpits dos barcos que estavam acessando o lagoon, acenando, tirando fotos, saudando os que chegavam...Foi a manobra mais rapida que 4 fizeram, ao mesmo tempo: entrar na cabine, por aquela escadinha safada, estreita e bamba, para fugir da vergonha da " zona " que estava o barco, com todas as almofadas e colchoes ainda "arejando" espalhados da proa a popa...

 

Sobrou o capitao que adoraria ter entrado junto mas obrigatoriamente tinha que ficar ao leme. Pandora ficou com ele e vendo o movimento, latiu fora do normal bem quando o ideal seria sumir ou ficar invisivel. Voce sabe como e...

 

E assim entramos em Sint Maarten: Luiza cansado da guerra, bandeira brasileira desfraldada e esfiapada com somente o capitao como humano aparente e dezenas de almofadas, sob os latidos de um cao negro.

 

Todos rindo la de dentro do barco cruzamos os olhares com Fernando, agora tambem rindo e ate passando a mao na cabeca da Pandora. O importante, todos sabiamos, nao era a forma como entramos mas que haviamos mesmo entrado e que estavamos mesmo la.

 

Ficamos 5 meses nesta ilha . Exatamente nela, tao almejada, que nao nos traiu em absolutamente nada.

 

Toda e qualquer situacao muito ruim que passamos para estar neste way point valeu a pena. Foi a nossa escolha a forma: de barco. O mar que pegamos: fez parte. O que nao tivemos de luxo ganhamos em criatividade. E nada nos faltou. Alias, sobrou otimismo e bom humor.

 

 

(Rumo a Saint Maarten antes da virada no tempo...)