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(Luiza nos trouxe ate aqui...! ) 

 

 

 

( UhUh!!! Miami!!!! )

 

As 60 milhas restantes que faltavam para chegar aos Estados Unidos foram um bom tempo para refletir sob um novo prisma, com uma percepcao diferenciada e adquirida ao longo dos ultimos anos.

 

A comecar pela propria "concepcao" de tempo: parecia uma vida que havia transcorrido desde o Brasil e havia sido so um decimo do total da minha ou de Fernando. No entanto, 5 meses, 3 ou 33 dias tinham todos eles uma sensacao de absorcao de Muito, de Espacoso, de Qualidade, de Consistencia, de Rupturas, de Amplitude. Haviamos "vivido", sentiamos isso.

 

Com as mudancas que fomos obrigados a conviver dada a propria realidade do mar que se altera sempre, fomos empurrados em direcoes, muitas conflitantes, a espera de rapidas mas embasadas decisoes. Mas estas bases agora tambem tinham um " Q " de " feeling" , antigamente desprezadas... 

 

As proprias incertezas do nosso cotidiano, metas novas, situacoes diferentes de trabalho, manutencao do lar flutuante, outras formas de comunicacao, pessoas com culturas diferentes; nada estavel (comparado a vida em terra, onde os muros sao conhecidos e os sinaleiros estao sempre ali, regulando o trafego), nos obrigaram a acelerar decisoes. Cortar caminhos, explodir com as futilidades e aproar. 

 

Apesar disso, existe a mesma quantidade de responsabilidades nesta opcao de vida que fizemos, em relacao a convencional. A diferenca e que nos descartamos de todo o superfluo que tinhamos a tendencia em acreditar que nos fazia bem.

 

Nao houve mais tempo nem espaco nos armarios para essa erva daninha que, a nos, parecia um limitador no encontro das possibilidades pessoais. E que entrou ao longo das nossas vidas, sem termos ido procurar.

 

As poucas roupas la nos armarios eram muitas ainda do Brasil.

 

Na cozinha, o essencial, reduzido a tres panelas, uma de pressao e outra de barro. Todos os utensilios, roupas de cama, toalhas: para cinco.

 

Circular no Luiza e procurar o luxo, requinte em algo, concretamente seria perda de tempo, apesar de nao sermos excessao nessa escolha, apos termos reconquistado esse direito.

 

Termos vivido ate ali assim, significou entender que poderia ser assim. Se desejarmos que se perpetue, e outra historia. Agora, se houver o desejo de buscar mais, ha chances. Nao possivelmente como a maioria das pessoas entendem; o que nao significa que nao existam.

 

Mulheres velejadoras em cruzeiro, por este mundo afora, podem nao ser apaixonadas pelos pequenos espacos em um barco e maridos, adorariam andar sempre como numa regata, mas em nome de cada verdade pessoal, assim foram jogadas as cartas na mesa e todos sentem que pegaram uma sequencia maior.

 

Ha sempre, no minimo, dois lados de uma questao: a boa e a ma.

 

Gostaria, bem la atras, ter comprado um livro onde todas elas tivessem sido escritas, nos bastando listar, depois escolher. Facilitaria na luta que temos em enfrentar o desconhecido, em alimentar nossas auto estimas ao inves de destrui-las pela acomodacao, entre outras razoes.

 

Nao e um convite oficial ao despojamento, porque afinal nem somos  assim, mas, uma reflexao sobre tantas de nossas maiores escolhas que inevitavelmente nos sacodem, nao importa a hora.

 

Sair pelo mundo em um veleiro pode ter mais conotacoes que uma grande aventura. Quem opta por este caminho, no minimo sera recompensado por descobertas que nao estao escritas em lugar algum. Nem todas faceis. Nem todas racionais. Nem todas com respostas. Nem todas emolduradas e prontas para se colocar na parede para demonstracao ao publico e muito menos que agrade a maioria.

No entanto, como o curso da vida tem o prisma que colocamos, soltar as amarras, de verdade, pode nos dar a exata dimensao do que importa.

 

Viajar e bom. Fazer turismo e bom. Estar com a familia e bom. Trabalhar e bom. Conversar e bom. Silenciar e bom. Aprender e bom. Fazer novos amigos e bom. Achar diferente disso, e estar atado aos tais alicerces que consideramos seguros, a famosa sombra do carvalho... Mas o preco e alto. Diria hoje, olhando ate aqui e tendo vivido por 45 anos em terra, convencionalmente, que pra nos, foi fundamental acreditar e termos dado a virada.

 Num veleiro. No Luiza. Nos cinco.

 

 

 

 

 

 

 

( Las Ollas Boulevard - Fort Lauderdale )

 

Chegar foi uma etapa; adaptar ao dia a dia neste pais foi outra.

 

15 milhoes de habitantes na Florida e a sensacao de que todos tem carro... Como circulam, a estrutura esta toda pronta para que fluam, por auto pistas ou avenidas paralelas, com viadutos sobrepostos.

 

A velocidade do fluxo impressiona pela rapidez e os carros sao novos, padrao Vans e Caminhonetes, em sua maioria. Cambio automatico e com motores potentes.

 

Os pedestres, que sao respeitados mesmo e que tambem transitam somente pelas faixas de seguranca, nao existem em profusao por todos os lugares. Estao concentrados em alguns espacos, como shoppings por exemplo, porque nao se deslocam a pe. Ha onibus mas sem o que conhecemos como sistemas integrados ou que circulam fazendo a periferia. Os daqui atendem diminutamente uma area restrita, dai a necessidade na utilizacao de carros para o deslocamento, que e grande para todas as direcoes e que, alias, faceis de encontrar devido ao numero imenso de placas sinalizadoras, grandes, varias delas, ate chegar ao local.

 

Faixas demarcadoras no chao e, pela legislacao da Florida, voce escolhe uma para trafegar e se mantem nela ate ter real necessidade de trocar. Nas faixas que tem sinal de ir em frente ou a direita, os carros podem e somente vao nestas direcoes apontadas, sendo livre sempre, entrar para a direita.

 

Nas regioes escolares, sinaleiras proprias alertando para o horario de circulacao de jovens, com velocidade e area permitidas.

 

Sinaleiros sincronizados, pistas alternativas para aguardar sua vez para entrar a esquerda e guardas espalhados, visiveis, ostensivos para pegar infratores.

 

 

( Rotina...)

 

Se voce nao for parado por eles, recebera sua multa em casa. A placa do seu carro e de sua propriedade, independente de suas trocas de carro e atraves do numero dela,  passam sua vida para qualquer um que acesse o numero pela internet.

 

O sistema de computadores interligados existe e funciona no pais. Para obter informacao e para pagar o que for necessario.

 

Estacionar o carro nao e problema: ha em todos os lugares locais especificos, estacionamentos ou espacos parqueados. Passara a ser um pesadelo se voce nao respeitar estes espacos proprios porque o caminhao guincho podera ser acionado por qualquer pessoa que nao aceite este fato. Dolares saindo para ir buscar seu carrinho...

 

Tudo e plano e com asfalto impecavel. Esta explicado porque andam de "rollers" e bicicletas aos finais de semana, a beira mar ou no meio do transito central.

 

Ufa! ...e nos que estivemos por longo periodo so em ilhas, onde ao final de um periodo, quase todos os rostos se tornam familiares... foi um susto.

 

 

 

 

Mas o que e bom, pratico, aprende-se logo e em se tratando de "sistema que funciona ", ate onde conhecemos, eles estao como professores.

 

No inicio, como todo e bom cidadao latino nos perguntavamos, em um local publico, parque por exemplo, se haveria telefone ou banheiro. Aprendemos rapidinho que ha nao so isso, como funcionam, estao absolutamente limpos e com papeis toalhas e sabonetes e tudo quanto for necessario.

 

E vai por ai afora a praticidade: tem lavanderias por todo o lado que operam com moedas de 25 centavos de dolar e possuem tambem as maquininhas para trocar a cedulas para as tao necessarias e usadas moedas.

 

Ao lado ainda, uma outra maquina com sabao em po, amaciante e produto proprio para a secadora.

 

Cadeiras para aguardar, maquinas de bebidas e salgados, televisao e ate internet "free".

 

Eles descobriram as necessidades para tornar a vida pratica e fizeram isso funcionar a pleno vapor, em todas as areas da vida cotidiana.

 

Comida...: nos supermercardos tem de tudo, como no Brasil, so que nao ha morangos estragados na fila " de baixo". Frutas e verduras absolutamente selecionadas como habito comum de consumo.

 

Tambem tem opcoes mais praticas: porcoes de pre-lavadas, pre-cozidas, pre-temperadas ao tamanho e gosto do fregues. Centenas delas e em diferentes misturas.

 

Os setores dos congelados, incluem mais variedade que estamos habituados a ver ate porque se consome muito mais este tipo de comida por aqui. O que for de microondas e forno tem prioridade nas cozinhas americanas porque e rapido, nao suja e e so botar o molho que esta como eles gostam....

 

 

( Barcos docados nos canais a margem da principal )

 

Pratos, copos e talheres descartaveis sao muito usados e acompanham pratos prontos, nos supermercados. Voce so precisara ter um saco de lixo a mao apos a refeicao porque ha lixeiras, muitas, logo ali...

 

Quem disser que nao facilita morda a lingua...Agora, se o sabor nao e o mesmo do nosso brasileiro, fazer o que. Compra-se entao o feijao , com todos os mesmos ingredientes para a feijoada , couve para o acompanhamento regado a uma boa Bhrama ou por que nao, nosso guarana. Ha de tudo e de todos os lugares do mundo; a tal da globalizacao. Alias, ja haviamos visto isto no Caribe...

 

La tambem, ja tinhamos percebido que a questao havia sido alterada de prisma, quanto a dinheiro: consumir o que for mais barato em moeda local porque nao temos entrada diferente. Mas, brincando de comparar, fica assim: pao, coca-cola, cerveja, feijao, massa, tudo....mesmo preco do Brasil, so que em dolar.

 

1 dolar o pao baguete, 1 dolar a coca, 1 dolar e meio a cerveja, etc. Caro e pra quem vem com real mas na Florida, e mais barato que o Caribe.

 

Jornal aqui e mais barato, nesta forma de comparar: 35 centavos, diariamente e 1 dolar aos domingos.

 

 

( Um dos muitos canais para docagem. )

 

Mas o ponto nao e a comparacao: ao nosso ver o mais importante e situar-nos ao momento, sem justamente ela porque nos atrasaria, remeteria a parametros que nao valem mais: nossa realidade mudou.

 

Depois de decidirmos ficar em Fort Lauderdale ate seguir novos rumos,  compramos um carro para fazer parte da " massa" e diga-se: luxo absoluto para quem andou muito, pegou muito onibus e usou o dingue como conducao...Bem que tentamos usa-lo aqui, da mesma forma, mas nao e usual e fomos multados.

 

- Opa seu guarda, sorry !

 

O lado bom ( fora pagar 65 dolares ) e que aprendemos a maior licao de todas: nao faca nada que saia do lugar comum. Agir diferente aqui, significara ser abordado.

 

Eles estao forrados das normas, regras, leis e voce so precisa seguir ( e teus impulsos de nao faze-lo serao brecados rapidamente porque assim efetivamente acontece...).

 

Indo mais a fundo, mas sem querer fazer estudo socio-psicologico da questao, diria que conseguem manter esta multidao de pessoas em ordem dentro de uma normalidade caracteristica de grandes cidades, e que dessa forma, tudo se tornou pratico. Nem ha a necessidade de pensar porque as coisas estao la e estarao depois de amanha tambem, da mesma forma. Sao situacoes estaticas: aprender a conviver com isso ate abala os neuronios de quem sempre tenta ver um outro jeito mas ha quase desistencia imediata. E assim que funciona o sistema e ponto.

 

Ha quem goste e ha opiniao diferente mas nos pudemos dizer que, depois de um tempo, fomos capazes de entender melhor o nosso sangue latino, quente, risonho e sem tanta disciplina mas tambem fomos felizes em perceber a ordem, a organizacao, a eficiencia no simples dia a dia, que passou, temporariamente, a nos pertencer tambem.

 

 

( Docando melhor para esperar o " Ernesto "...)

 

 Quando chegamos, por Fort Lauderdale, nos deram 6 meses para ficar. 25 dolares em taxas, Pandora bem vinda ( nem perguntaram sobre caes ), rapido, eficientemente e " Wellcome"!

 

Mas queriamos conhecer adiante, ate tomarmos uma decisao aonde ficar na temporada dos furacoes. Fomos para Miami, ficamos por la uns dias, absorvendo tantas novidades. E um mundo novo e assusta muito.

 

 Havia uma ordem ao redor  intimidatoria e sem o dominio do idioma, tratamos de usar e muito ! nossa percepcao. Bem, nao havia muita opcao... Um ficava no barco enquanto outro ia tentar descobrir onde se telefonava, um telefoninho publico, coisa simples. Sem telefones como estavamos habituados, em cada esquina, ate porque aqui e sim o pais dos celulares!!!

 

Quando achamos o tal do telefone publico, sistema moedas de 25 centavos de dolar, tinhamos entao que descobrir onde trocar. Apos conseguir, dificil era entender o que a gravacao dizia e quando isto acontecia, aquelas poucas moedas colocadas, o telefone ja havia comido. Um circulo vicioso de trocar moedas e perde-las, sem completar a ligacao...

 

Atravessar a rua so na faixa, aguardar o sinaleiro de pedestres ficar verde, cuidar que os carros podem entrar a direita no vermelho ( desde que voce pedestre, nao esteja atravessando ) e entao ir. Quase correndo ! Depois descobrimos que bastava por o pe na rua para qualquer carro parar...

 

Cade os onibus nesta cidade, era a pergunta oficial. Pois e, sem onibus...Metro. Onde pego, como pago, de que jeito seria, era a questao. E entao, foi-se para o lado errado, sentido contrario ao desejado mas finalmente acertamos.

 

Foram 10 dias para irmos descobrindo o basico e podermos, ao final do dia, comecar a relaxar...

 

De dingue, subimos bracos de rios no meio da cidade e descobrimos muitas marinas.Mas o preco variava entre 1000 e 1200 dolares mensais. Nos assustamos. Haviamos pago 200 em Sint Maarten e ja era uma fortuna para nossos bolsinhos. Adoramos naquele momento, estar ancorados em local especificado ( e publico, claro ) em cartas da Intercostal so que entao optamos em comecar a subir por ela. Sem genoa ( aquela nossa boa, a ultima...), sem guincho mas agora, com dois jogos de ancoras e correntes.

 

Levamos um susto enorme ao final de uma tarde, ancorados, la por Biscaynne Bay. Ventos subitos de rajada destruiram nossa genoa, levaram embora alguns galoes de diesel soltos no conves, levantaram a altura da borda nosso dingue, deixaram-me por meia hora colada em frente ao gps observando nossa posicao e Fernando no leme, motor ligado, a postos. Nao desintegrou o Luiza como pareceu que iria mas, ao final, transformou numa massa metalica disforme nossa ultima ancora, corajosa. Fomos correndo para a marina mais proxima e ali, nosso guincho deu seus ultimos suspiros...

 

 

( Na intercostal )

 

 

 

Motorando entao pela Intercostal, fomos nos surpreendendo com o feito pela mao do homem, nos antigos manguezais que se tornaram canais navegaveis, balizados e de pouca profundidade. Hoje, rios, bracos deles e mais a agua do mar circulam, no fluxo das mares que adentram pelos " inlets" que sao as passagens de acesso ao mar. Ha muita movimentacao ao redor deles, nas marinas e postos para abastecimento porque sao utilizados com frequencia.

 

Para navegar nela e preciso conhecer a altura do mastro e ter em maos o Manual com seu nome que possue exatamente tudo o que e prioridade: todas as cartas, a pontes e seus way points com altura , horarios para abertura  e seus respectivos nomes, marinas ao largo, postos de abastecimento e ancoragens permitidas.

 

Naquelas pontes cujo horario e determinado, deve-se aguardar mas contacta-se o operador para que ele tenha ciencia da presenca da embarcacao. Os locais em que eles operam podem deixar escapar de sua visao algum barco e ja aconteceu de veleiros perderem seus mastros, inclusive um enquanto estavamos motorando rumo norte.

 

Nas demais, que necessitam ser acionadas, tambem pelo VHF acontece a comunicacao, desde que voce chame o operador pelo nome da ponte e solicite a abertura. Ele lhe responde em quanto tempo fara o procedimento e voce aguarda. Em terra ha um sinal sonoro, o baixar das cancelas na sequencia enquanto o sinal luminoso ainda esta em vermelho, para a embarcacao. Entao, comeca a erguer e quando voce tem seu direito de passagem, a luz verde acende.

 

Como era eu quem fazia a solicitacao, fui aprendendo a citar que era um veleiro brasileiro e inumeras vezes, homens ou mulheres operadores, acenavam especialmente enquanto nos observavam, fora da "casinha" deles, passar.

 

Ficamos impressionados com a funcionamento destas pontes ( ha trechos que passamos 14 em um dia ), operando exatamente como especificado no guia, faca chuva ou sol. E os carros, em terra, sem buzinas ou aceleracoes, simplesmente aguardavam, muitas vezes somente nosso barco passando e provocando toda aquele congestionamento la em terra...

 

O passeio tem varios visuais e funciona como um verdadeiro turismo pelo lado leste da Florida, nesta "avenida" protegida do alto mar.

 

Fomos ate a cidade de Saint Augustine, historica, quase na divisa com o Estado da Georgia e vimos das mansoes mais luxuosas ate locais onde se encontram cabanas e espacos para acampamento. Em momentos o canal se alarga e passa a ter ilhotas que possuem estrutura para acampamento, com prainhas limpas e arvores.

 

As ancoragens permitidas ao largo da Intercostal sao demarcadas e algumas muito concorridas, que nos obrigam a chegar cedo, porque sao pequenas e cabem poucos barcos. Os acessos sao faceis na maioria mas exigem atencao tendo em vista as profundidades minimas e ha que se considerar a mare. No radio VHF voce tem a previsao do tempo com as variacoes dela para todas as horas, o que ajuda. No caso de querer ir para terra, com o dingue, surgiu uma situacao ate entao, para nos inedita. Aonde deixar o dingue... Ha espaco nas " dingue-docas" dos parques ( mas nem sempre ha parques proximos aos locais permitidos para a ancoragem do veleiro...) e nas areas proprias das marinas, sempre pagas. Por hora, dia ou semana ficando, em media, 10 dolares por dia. Depois que descobrimos isso, ficou facil. Saem dolares mas voce passa a ter direito a banho e utilizacao da salinha de entretenimento, com Wi-fi para nossos abencoados notebooks, televisao a cabo, agua gelada, sofas e jornais a disposicao. Isto tanto em marina particulares como publicas, que na pratica, nao possuem diferencas.

 

Achei apenas um parquinho onde pude levar a Pandora, desembarcando direto na areia, sem taxas. Raridade e felicidade para ela. Isso aconteceu no sul de Palm Beach.

 

Caes sao super bem vindos em todos os lugares, desde que com coleiras e nao em praias, onde ha concentracao de pessoas. ( Em Fort Lauderdale tem uma especifica para isso...) Voce sempre encontrara placas  sinalizando e lixeiras proprias para depositar as "cacas". Se esqueceu o saquinho, nao ha problema: ao lado ha muitos deles para agilizar a tarefa.

 

Navega-se pela Intercostal de dia e para-se ao final da tarde. Nao como regra mas a maioria pratica dessa forma. Calculam-se as milhas e programa-se a ancoragem antes do escurecer, considerando os horarios de abertura das pontes. Pega-se a pratica de tal jeito que dois, tres dias assim, voce tem a exata nocao de quantas milhas percorrera, motorando. Ha tambem quem use vela mas e muito dificil estar com vento correto no sentido pretendido mais o fato do canal muitas vezes ser estreito e ter bastante trafego.

 

Aprende-se que nas proximidades dos canais que dao acesso ao mar, ha peixes e estas ancoragens sao um bom ponto para a pescaria de dingue. A agua e mais clarinha, ha muito barco da marinha controlando o trafego e barcos de socorro, particulares, para auxiliar nos encalhes. ...Mais comuns do que pode se supor... ( Fato acontecido, e so esperar a mare.)

 

 

( ...Rastros do furacao do ano anterior...)

 

O controle e real quanto a vazamentos de diesel na agua e as multas aplicadas levam qualquer cidadao a tomar cuidado com relacao a poluir...Nos postos para abastecimento, eles te ajudam a docar, fornecem cabos para atracagem mas e voce que abastece, assumindo a responsabilidade e risco. Com isto, apesar de ser uma " avenida " a beira de cidades, muitas marinas e postos, com circulacao imensa de embarcacoes, o volume de peixes e do famoso " manatee" ( nosso peixe boi ) tambem e grande. Ha vida marinha. As aguas nao estao poluidas e ficamos encantados. Vimos muitas familias, grupos de amigos,  usufruindo as ilhotas para puro lazer aquatico, num programa maravilhoso e viavel, ao ar livre.

 

Todas as casas e edificios ao largo do canal, possuem docas. Os trapiches variam de comprimento em funcao da profundidade das aguas naquela regiao mas sao construidos de forma padrao, embelezando a vista que se tem da agua para a terra. Usam muita madeira e concreto e ve-se com frequencia, serem usados para pescaria, ao final da tarde. Mulheres, muita mulheres pescando sentadas ali e nos barcos! De chamar a atencao o volume.

 

Perdemos as contas dos parques publicos em toda a extensao pela qual passamos. Diga-se, com toda a infra-estrutura para a familia e grupos de amigos poderem usufruir da pesca ou de passeios pelos canais: rampas asfaltadas, churrasqueiras, mesas, limpadores de peixe e vegetacao. E sao utilizados em profusao...

 

 

( Em casa... )

 

Bem, existe, na Florida, 1 milhao de embarcacoes registradas. Envolve todos os tamanhos e ha, portanto, estrutura para absorver este montante. Fomos saber destes dados teoricos depois mas la vimos essa circulacao inimaginavel deles pescando, passeando, docados, ancorados e se locomovendo, tambem em busca de abrigos seguros. De lanchas pequenas, passando por " trollers ", megayatches e veleiros.

 

Com as rajadas de vento e as " Tropical Storm " passando cerca aprendemos rapidinho a buscar ancoragens mais profundas, ali na faixa dos 7 metros, para caso da ancora soltar nos nao ficarmos encalhados, que seria o grande perigo. ( Muitos veleiros tiveram a falsa ilusao de estarem protegidos nas aguas da Intercostal nos ultimos furacoes mas as profundidas rasas sao o grande problema nesta situacoes...)

 

O mesmo acontece movimentando-se pela Intercostal: voce percebe uma " thunderstorm " e vai procurar ancorar onde haja profundida porque entram ventos muito fortes mesmo, chegando a 90 kms por hora.

 

Pegamos uma dessas que em segundos tirou toda a visibilidade e rompeu nosso cabo de aco da roda de leme, nos obrigando a improvisar ate a proxima ancoragem, que por total sorte, pode ser ao lado do canal.

 

 As tempestades por ali se mostraram rapidas, fulminantes e sem logica mas com as duas boas ancoras, a questao foi escolher os melhores lugares. Foi assim que paramos e deixamos passar por cima de nos a primeira Tropical da temporada.

 

Dois dias de preocupacao sem nenhum problema real ao final nos lembraram que era hora de decidir o que fazer. Decidimos voltar e ficar mesmo por Fort Lauderdale, nos canais afastados do mar, com estrutura para amarrar-mos o Luiza e proteger-nos para encarar o que por ventura viesse e que, ao final, nao veio. Que beleza !!!!

 

 

( Lotacao esgotada !!! )

 

A cidade tida como a Veneza americana merece o nome. Muitos canais com varias possibilidades de docagem e varicao de precos. Claro, e onde aceitassem nosso cachorro. Achamos, afastados do mar, lado a lado com muitos outros veleiros, em uma pequena e simpatica marina.

 

Dois dias depois de instalados, recolhi nossa grande bandeira brasileira ( filhinha unica...) e qual nao foi nossa surpresa de no dia seguinte, alguem nos chamar, em PORTUGUES, dando oi!,  do outro lado do canal... 

 

Junto com todas as boas novas em territorio americano, conhecemos esta familia brasileira-americana pertinho da gente, vivendo a bordo, por pura opcao e gosto. Coisas dessa vida maluca que nos presenteia, ha milhas de distancia de nosso pais, com pessoas que souberam preservar valores tao excassos nesse mundinho de meu Deus... Sorriso e olhares francos destes cariocas que estao nestas bandas ha vinte anos e com quem temos compartilhado muitos dos nossos melhores momentos.

 

Debora e Caique voltaram para o Luiza e um tempo para novo descanso e escolhas havia chegado. Durante tres meses, estavamos os quatro a bordo, disputando agora do conforto oferecido pela marina em que nos instalamos. Foi otimo porque pudemos passear, nos intercalando para atender Pandora e desfrutar do turismo em terra

 

 Serviu ainda para Caique complementar seu curso de capitao e para Debora fazer o dela.

 

Guilherme ainda trabalhando no Mediterraneo, em contato direto conosco, esteve esperando um periodo propicio para matar as saudades do Brasil e quem sabe, depois, partir para novas metas. Enquanto o momento nao chegava, tambem concluiu seu curso de capitao e em seguida, fez o complemento la na Europa.

 

E nos, ate soltarmos novamente as amarras da doca e seguirmos novas direcoes, estaremos por aqui.... Sem apressarmos nada, sem nos debatermos por isso. E fato escrito que nao sera por muito tempo...

 

 

( Trabalhando...) 

 

 

 

 

 

 

  8 meses nos EUA

 

O tempo voa e ja estamos beirando os oito meses na Florida. Tivemos que sair do pais e retornar para renovar o tempo legal de permanencia no pais, determinado pelo Departamento de Imigracao.

 

Fomos para o Brasil, em tempos diferentes e considerando o novo periodo para permanencia no retorno aos EUA, o capitao teve que sair mais uma vez para validar este tempo...

 

Dolares saindo! Este lado e triste para o caixa do Luiza mas como faz parte, Fernando aproveitou para visitar Guilherme que estava na Europa, estudando. Mais precisamente em Berlim. Foram 7 dias de muito convivio; um periodo para estarem juntos depois de 10 meses sem se verem. Aproveitaram em terra, passeando, conhecendo a cultura e " as variedades " do chopp alemao!!! Soubemos aqui no Luiza, no retorno do capitao, que a " experimentacao " foi intensa !

 

Estes periodos em que fomos ao Brasil, por exemplo, serviram tambem para que tivessemos contato com familia, amigos e com tudo aquilo que sempre fez parte da nossa rotina em terra, por 20 e poucos anos.

 

A tristeza e que nem sempre voltamos so com sensacoes boas. Foi o caso desta nossa ultima ida que implicou na perda do pai de nosso capitao...Alias, alem de pai, sogro e avo, talvez tenha sido o grande precursor na familia da ideia com a qual compartilhamos: viajar e maravilhoso !!

 

Entre saidas e retornos, estamos hoje os cinco novamente a bordo. Claro, e Pandora.

 

Guilherme, Debora e Carlos Henrique que ja haviam estado por estas bandas antes de nos fizeram muitos amigos e hoje, circulam dentro deste e de mais recentes circulos sociais, ampliando a vivencia neste territorio.

 

Todos reencontramos amigos feitos em Sint Maarten, que estavam em suas profissoes trabalhando naquele momento e hoje, deslocaram-se para ca ou retornaram ao seu meio. Bons reencontros e a prova que este mundinho e mesmo muito pequeno...

 

Os EUA favorecem tudo em materia de consumo e para quem gosta, de tecnologia de ultima geracao. No nosso caso, estamos usufruindo da internet com qualidade pelo sistema T1, por wireless. Luxo dos mais absolutos, inclusive para a comunicacao via programa Skype ( como um telefone, a custo minimo ), mantendo as distancias bem menores assim como custos. 

 

A mordomia de estarmos docados continua gracas ao velho sistema de uniao financeira. Alias, como a propria sobrevivencia. Interessante observar como a uniao faz a forca e as decisoes acabam por "estarem prontas" quando duvidas sao levantadas.

 

Todos os tripulantes vem adquirindo experiencias ao longo dos anos com visao maior, calcadas em experiencias reais. Acaba, com isso, ficando mais facil a percepcao do que nos faz bem, do que e necessario, do que se tem como objetivo concreto la na frente. Alias, este fato de olhar la adiante mantem a todos centrados diante das indecisoes inevitaveis.

 

Mas vive-se enquanto isso, na rotina aconchegante do dia a dia e muitas vezes cansativa. Real, como a propria vida: seja em terra ou no mar.

 

Tivemos que ser magicos para acomodar todas as malas dos tripulantes que voltaram em um espaco que nunca possuiu nem de longe, tanta bagagem...Com a circulacao deles enquanto trabalharam em outros barcos, somente com malas para deslocar seus pertences. Na saida do Luiza e facil mas no retorno ...

 

Daqueles dias onde as refeicoes implicaram somente dois a mesa ( Sint Maarten ) para cinco novamente, ate o volume de comida e pratos e imensuravel. Casa lotada de vida, vida e mais vida.

 

A TV sempre ligada na programacao local tem facilitado aos " mais velhos " ( claro, Fernando e eu ) o habito do ingles no dia a dia e, lembrando da ajuda dada la no inicio, agora as "correcoes ortograficas" vem dos filhos...

 

Entraremos no nosso quinto ano permitindo nosso sangue aventureiro continuar a tomar seu curso, como um rio que nao tem como ser detido. Temos projeto que nao passa somente pelas aguas salgadas dos mares do mundo apesar de sabermos que e este o objetivo final, e nao perdemos a nocao que organizar e preciso.

 

Aproveitando o periodo de final de ano que se aproxima ( mais um bom momento para podermos sonhar, continuar a sonhar, inventar novos sonhos, nos reinventar ), queremos desejar a voce que consiga tambem romper seus limites, encontrar sua determinacao motivadora para uma vida com mais qualidade, se permitir embarcar na sua aventura. Toda situacao nova e dificil mas a verdade maior, que encontramos, e que somos capazes. Todos nos.

 

Otimas festancas e um Ano Novo repleto das realizacoes!!!

 

 Tim-tim  !!

 

 

 

 

(  Na doca da marina )

 

 

( Excelentes ultimos momentos no Brasil )

 

 

( Brasil e avozinha...)

 

 

( Berlim...aiaiaiai!!!!!  )

 

 

( Gui no retorno ao lar! )

 

 

( Debora no retorno ao lar! )

 

 

 

( O lar num momento raro de perfeita organizacao...)